EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Apesar da confirmação da nova tarifa, alguns produtos brasileiros ficarão de fora da medida.

Author
Publicado em 16/07/2026 às 08:47h Publicado em 16/07/2026 às 08:47h por Elanny Vlaxio
A medida começa a valer no dia 22 de julho (Imagem: Shutterstock)
A medida começa a valer no dia 22 de julho (Imagem: Shutterstock)
O governo norte-americano confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país, medida que passa a valer a partir de 22 de julho e foi adotada após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA).

O que justifica a decisão

A decisão foi tomada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, após uma investigação iniciada em julho de 2025. Segundo o USTR, o Brasil mantém práticas consideradas "desleais" ou que restringem o comércio bilateral. Entre os pontos citados estão questões relacionadas ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção, ao acesso ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.
O governo dos Estados Unidos afirmou que, ao longo do último ano, foram realizadas negociações com autoridades brasileiras para tentar solucionar os pontos levantados na investigação. No entanto, segundo o representante comercial americano, Jamieson Greer, permaneceram divergências relevantes, o que levou à adoção da tarifa adicional.
A investigação foi aberta por determinação do presidente Donald Trump e avaliou práticas comerciais brasileiras em diferentes áreas. Durante o processo, foram recebidas manifestações de empresas e representantes do setor privado, além da realização de consulta pública e audiência sobre o tema antes da decisão final.
O governo brasileiro informou que avalia a decisão e poderá adotar medidas de resposta com base na legislação de reciprocidade econômica.
Ainda segundo o comunicado do governo brasileiro, "não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".

Produtos que não serão taxados

Apesar da confirmação da nova tarifa, alguns produtos brasileiros ficarão de fora da medida. Entre as exceções estão café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos do setor de energia, terras raras, alguns metais, fertilizantes, petróleo bruto e derivados, além de aeronaves, peças de aeronaves e componentes aeroespaciais. 
Segundo o governo americano, a exclusão desses itens busca evitar impactos sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas ou sobre produtos que não podem ser produzidos em quantidade suficiente nos Estados Unidos.
Veja os produtos que estão fora da taxação
  • Carne bovina;
  • Miudezas e preparados;
  • Peixes e crustáceos;
  • Outros produtos de origem animal;
  • Hortaliças e legumes;
  • Raízes e tubérculos;
  • Frutas e noze;
  • Café, chá e especiarias;
  • Cereais, moagem e bebidas;
  • Minérios e minerais;
  • Combustíveis e óleos;
  • Produtos químicos;
  • Sangue e vacinas;
  • Medicamentos;
  • Fertilizantes;
  • Plásticos e borracha;
  • Madeira e papel;
  • Metais;
  • Máquinas;
  • Informática e eletrônicos;
  • Aeronáutica;
  • Instrumentos;
  • Arte e antiguidades.
E os produtos que serão taxados
  • Produtos que serão taxados;
  • Etanol;
  • Máquinas agrícolas;
  • Vestuário;
  • Maquinário elétrico;
  • Calçados;
  • Ferramentas de jardinagem;
  • Equipamentos de mineração;
  • Papel;
  • Açúcar orgânico;
  • Bens de capital;
  • Manufaturados em geral;
  • Produtos químicos diversos;
  • Itens industriais processados.