Estreito de Ormuz é fechado novamente pelo Irã após impasse com EUA

Conflito pode impactar preços do petróleo e comércio global

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Publicado em 18/04/2026 às 10:19h Publicado em 18/04/2026 às 10:19h por Wesley Santana
Rota marítima é uma das mais importantes do mundo para o tráfego de petróleo (Imagem: Shutterstock)
Rota marítima é uma das mais importantes do mundo para o tráfego de petróleo (Imagem: Shutterstock)

Duraram menos de 24 horas para que o Irã voltasse atrás da sua decisão de abrir o Estreito de Ormuz. O governo disse que vai fechar novamente a passagem marítima como resposta aos Estados Unidos que não cumpriram o acordo e mantiveram o bloqueio naval na região. 

“O controle do Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior… sob a gestão e o controle rigorosos das forças armadas”, informou a Guarda Revolucionária, na manhã deste sábado (18). A nota destaca que o fechamento será mantido até que os EUA mantenha seus militares na via marítima.

Essa foi uma das exigências de Teerã para baixar a guarda e deixar que navios voltassem a trafegar pelo espaço. Desde o começo da guerra, o trânsito da região está afetado, compreendendo a circulação de mercadorias, especialmente de petróleo.

Mais cedo, tripulantes de dois navios que passavam pelo estreito relataram ter ouvido trocas de tiros na região. As embarcações inclusive teriam sido atingidas pelos disparos, registrados depois do retorno do bloqueio iraniano. 

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O governo dos EUA já havia dito que o bloqueio naval permaneceria até que as negociações com o Irã fossem concluídas. Mesmo assim, grande parte do mercado já apostava na baixa de guarda dos dois lados. 

"O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada", escreveu Trump. 

Na última sexta (17), o petróleo fechou o pregão com um dos maiores recuos dos últimos anos. O barril tipo Brent chegou a cair mais de 10%, voltando à faixa dos US$ 80.

Durante o arrefecimento das tensões, segundo dados de rastreamento de navios da MarineTraffic, quatro navios-tanque foram vistos atravessando as águas de Ormuz. As embarcações tinham a China como destino e estavam transportando gás liquefeito de petróleo, também chamado de GLP.

“O Irã está em uma janela estreita, onde o tempo é tudo. Os navios-tanque que vemos se movendo hoje estão, na prática, presos em um fluxo de três semanas antes que qualquer petróleo chegue à China”, disse Charlie Brown, conselheiro sênior de rastreamento de frotas fantasmas na United Against Nuclear Iran e ex-oficial da Marinha dos EUA, à CNN.