CVLB Brasil, dona da Casa&Video, entra com pedido de recuperação judicial

Empresa busca reestruturar dívidas e garante operação normal em mais de 360 lojas.

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Publicado em 29/04/2026 às 12:25h Publicado em 29/04/2026 às 12:25h por Wesley Santana
Casa & Video tem lojas em 15 estados que devem continuar funcionando durante RJ (Imagem: Divulgação)
Casa & Video tem lojas em 15 estados que devem continuar funcionando durante RJ (Imagem: Divulgação)

Na manhã desta quarta-feira (29), a CVLB Brasil entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça. A empresa é controladora das marcas Casa & Video e Le Biscuit, que funcionam com lojas físicas e e-commerce no Brasil.

O comunicado divulgado ao mercado não dá detalhes de qual é o valor da dívida, mas é possível que os valores em aberto estejam na casa do bilhão. O pedido está relacionado a uma tentativa de negociar os acordos com o auxílio da Justiça.

“O pedido de Recuperação Judicial não decorre do abandono da via negocial, mas da necessidade de ampliar o alcance e conferir maior estabilidade jurídica ao processo de reestruturação em curso, substituindo o regime cautelar, de natureza provisória e limitada, pelo instrumento recuperacional previsto em lei”, diz o comunicado.

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A empresa também comunicou que conseguiu levantar um financiamento de R$ 75 milhões para capital de giro. Por isso, tranquilizou os consumidores, dizendo que a RJ não deve mexer na operação das unidades da rede, que somam mais de 360 lojas espalhadas por 15 estados do país.

“A companhia esclarece que seu ecossistema de vendas, que abrange lojas físicas e canais digitais, permanece operando normalmente. Paralelamente, seguirá implementando medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco no aumento da eficiência, no ajuste da estrutura de capital e no reforço de sua sustentabilidade econômico-financeira”, diz o fato relevante.

Tentativa de IPO

O pedido de RJ representa um revés importante para a companhia que, até 2020, tinha planos de abrir o capital na bolsa de valores. Os negócios de Casa & Vídeo e Le Biscuit foram concentrados na CVLB justamente para entregar maior valor aos eventuais acionistas que chegariam com o IPO da companhia.

Na época, as discussões eram de que o negócio poderia abrir caminho para a captação de até R$ 1,5 bilhão na B3, conforme expectativas de bancos como o Bank of America, o Citi, o Itaú BBA, o Santander e a XP Investimentos, que foram contratados para coordenar a oferta. O IPO, porém, não prosperou, e as companhias passaram por maus momentos, que se intensificaram nos últimos meses por causa da taxa de juros e do recuo no consumo.