Após 2 anos no vermelho, empresa da B3 retoma o pagamento de dividendos
O Grupo Multi (MLAS3) aprovou a distribuição de R$ 40,75 milhões em dividendos.
Nesta terça-feira (18), o Grupo Multi (MLAS3) -antiga Multilaser- informou ao mercado que está separando uma provisão de R$ 20 milhões por causa da crise das Casas Bahia. Fabricante de eletrônicos, a empresa entra na lista dos mais de 25 mil credores da companhia que está em recuperação judicial.
De acordo com o comunicado, a empresa já havia separado R$ 21 milhões para eventuais prejuízos com a varejista. A empresa quer se proteger de calotes, já que agora a Casas Bahia pode ter a proteção contra dívidas decretada pela Justiça.
“O valor total corresponde exclusivamente à parcela do saldo a receber que não está coberta pelas apólices de seguro de crédito e pelos demais instrumentos de garantia contratados pela companhia”, destaca o Grupo Multi. “Trata-se de montante pouco expressivo diante da carteira total de recebíveis, equivalente a apenas 2,29% do saldo líquido de contas a receber, sem efeito significativo sobre a posição patrimonial e financeira ou sobre os resultados da companhia”, continuou a companhia.
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A Multi é um dos principais fornecedores de eletrodomésticos e eletroeletrônicos no país. Ela tem, portanto, uma parte importante de saldo em aberto junto à Casas Bahia, que é quem faz a venda desses produtos diretamente ao consumidor.
No modelo do varejo, as companhias que vendem adquirem produtos com pagamento agendado para o futuro. Há casos em que o repasse pode chegar a seis meses depois da entrega.
Diante disso, a empresa não vê, pelo menos no horizonte do curto prazo, a possibilidade de receber os saldos pendentes com as Casas Bahia. Além disso, se a recuperação judicial for de fato aprovada pela Justiça, outras centenas de fornecedores podem estar à frente da companhia na fila de pagamentos.
A Casas Bahia informou, no último fim de semana, que estava entrando com um processo de recuperação judicial em SP. A empresa alega que tem mais de R$ 17 bilhões em dívidas, mas não tem condições de arcar com os pagamentos futuros neste momento.
Os maiores credores da BHIA3 são os bancos, que, individualmente, chegam a ter R$ 3 bilhões em aberto, conforme lista divulgada pela companhia. Empresas de seguro, fundos de investimentos e até dívidas trabalhistas também compõem as primeiras posições da lista de saldo a pagar.