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Copel (CPLE6) abriu o segundo semestre com um dos melhores resultados de sua história recente. O lucro líquido entre abril e junho chegou a R$ 1,05 bilhão, mais que dobrando frente ao mesmo intervalo do ano passado, com crescimento de 82,6%.
Excluindo os efeitos não recorrentes da repactuação do Uso do Bem Público das hidrelétricas, o lucro recorrente ficou em R$ 645,1 milhões, alta de 42,6% na comparação anual. O Ebitda recorrente do período somou R$ 1,61 bilhão, expansão de 20,8%.
Dois segmentos puxaram o desempenho. O primeiro foi a comercialização de energia, onde a Copel capturou ganhos de R$ 75 milhões por meio da gestão ativa do portfólio de geração.
A lógica é simples na teoria, mas exige precisão na execução. A empresa aciona suas hidrelétricas nos horários de pico de preço e deixa parte do volume sem contrato para ser liquidado no mercado de curto prazo, aproveitando os diferenciais entre os submercados do sistema elétrico nacional.
"A gente acertou bastante na estratégia, seja nos momentos em que nós vendemos energia a preços bons… e a gente sempre deixa um volume para liquidação no curto prazo", disse à Reuters o CEO Daniel Slaviero.
Ele acrescentou que os ativos hidrelétricos da Copel na Região Sul ocupam uma posição estratégica no sistema, funcionando como fornecedores de potência em momentos de escassez, especialmente no fim da tarde. "Quem tem isso aproveita 'spikes' de preços", afirmou.
O segundo motor do trimestre foi a divisão de distribuição, que registrou crescimento de 7,2% no mercado faturado.
A expansão foi alimentada pela maior atividade econômica no Paraná, pelo aumento da base de clientes e por temperaturas acima da média no período, fatores que impulsionaram o consumo residencial e comercial na região.
Leilões estão fora de cogitação
A Copel encerrou junho com relação dívida líquida/Ebitda de 2,9 vezes, patamar classificado pela própria gestão como "ótimo" dentro dos novos parâmetros de estrutura de capital adotados este ano.
Para o vice-presidente financeiro Felipe Gutterres, o balanço ficará ainda mais folgado a partir de 2030, quando o ciclo pesado de investimentos em expansão hidrelétrica se encerrar, embora a empresa avalie "opcionalidades" antes disso.
Apesar do espaço financeiro, a Copel não deve participar dos próximos leilões de transmissão de energia nem do certame que contratará baterias para o sistema.
📈 A justificativa do CEO é de que os retornos projetados não compensam. "Nós estamos enxergando retornos muito baixos, não atrativos, em especial por causa da alta competição. Retornos de um dígito, para nós, não fazem sentido", disse Slaviero.