A companhia teve a sua nota de crédito rebaixada por algumas das principais agências de classificação de risco do mundo. Além disso, perdeu a recomendação de compra e teve o preço-alvo cortado por um bancão americano.
Com isso, as ações da Braskem renovaram as mínimas do ano na B3 nesta terça-feira (30). O papel chegou a cair mais de 6% e tocou nos R$ 5,85 na mínima do dia.
Fitch e S&P cortam rating
A Fitch cortou o rating da Braskem de CC para C e avisou que novos rebaixamentos podem ocorrer, caso a empresa deixe de cumprir qualquer obrigação financeira ou anuncie formalmente um plano de reestruturação da dívida.
Já a S&P Global foi mais dura e derrubou a nota de crédito da petroquímica de CCC- para D, o que já aponta para o risco de inadimplência.
"Esse rating indica que a entidade não consegue cumprir suas obrigações financeiras, e investidores devem considerar seus investimentos nessas entidades como de alto risco", diz a escala de ratings da S&P.
Em relatório, a S&P explicou que a tutelar obtida pela Braskem na Justiça permite a suspensão temporária de pagamentos da dívida por um prazo de 60 dias -período que deve ser usado pela empresa para avançar nas negociações com os credores, o que pode levar a um pedido de
recuperação extrajudicial.
"Em nossa visão, a proteção cautelar e a suspensão temporária das obrigações financeiras caracterizam uma situação de inadimplência geral da Braskem", afirmou a S&P.
Já a Fitch vê a ação como o início de um processo semelhante a um default. Por isso, optou por monitorar esse processo antes de fazer novos ajustes no rating da Braskem. Porém, avisou que uma ação de rating positiva é improvável no curto prazo.
De toda forma, o rebaixamento pode ampliar as dificuldades da Braskem no mercado de crédito, já que as empresas mal avaliadas pelas agências de classificação de risco tendem a enfrentar uma oferta menor de recursos e juros mais altos no mercado.
JP Morgan corta recomendação
As projeções para as ações da Braskem também não passaram ilesas pelo agravamento da situação financeira da petroquímica.
O JP Morgan cortou a recomendação para o papel de compra para neutro. Além disso, derrubou pela metade o preço-alvo do ativo, de R$ 15 para R$ 7,50.
De acordo com o banco, a revisão reflete o maior risco de uma reestruturação da dívida, mas também o cenário menos favorável do setor petroquímico.
O Citi também reviu as suas projeções para a Braskem, antes mesmo de a empresa pedir proteção contra o vencimento de dívidas à Justiça, e foi ainda mais cauteloso que o JP Morgan.
O banco agora tem uma recomendação de venda e um preço-alvo de R$ 4,50 para as ações da Braskem, por entender que o risco de uma recuperação judicial não pode ser descartado.
O que diz a Braskem?
A Braskem pediu à Justiça proteção contra a cobrança de dívidas por um prazo de 60 dias.
A companhia alega que os vencimentos previstos para julho somam R$ 2,7 bilhões, mas poderiam permitir a cobrança antecipada de mais R$ 54 bilhões em obrigações financeiras, comprometendo a sua liquidez.
Entenda aqui.
A empresa ressalta, por sua vez, que a medida abrange apenas dívidas financeiras. Por isso, não afeta as obrigações mantidas com fornecedores, clientes e demais stakeholders.