Braskem (BRKM5): Vendas caem, mas spreads disparam no 2T26

A alta dos spreads reflete os impasses trazidos pela guerra no Oriente Médio e pode favorecer o balanço.

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Publicado em 31/07/2026 às 13:27h Publicado em 31/07/2026 às 13:27h por Marina Barbosa
A Braskem apresenta o balanço do 2T26 em 13 de agosto (Imagem: Shutterstock)
A Braskem apresenta o balanço do 2T26 em 13 de agosto (Imagem: Shutterstock)
A Braskem (BRKM5) teve mais um trimestre de vendas fracas, mas conseguiu praticar preços mais elevados em meio à guerra no Oriente Médio.
🏭 É o que mostra o relatório de produção e vendas da petroquímica no segundo trimestre de 2026, que foi divulgado nessa quinta-feira (30) e funciona como uma prévia do balanço.
No relatório, a Braskem explica que o cenário macroeconômico global permaneceu volátil em razão do conflito no Oriente Médio, o que restringiu a oferta de matérias-primas e elevou os preços do petróleo e da nafta no mercado internacional.
Nesse contexto, os preços das resinas e dos químicos vendidos pela companhia subiram nos mercados internacionais, o que tende a gerar um reflexo positivo no resultado operacional do trimestre.
A Braskem divulga o balanço do segundo trimestre de 2026 no dia 13 de agosto, após o fechamento do mercado. Veja a agenda de resultados.

Vendas caem

📉 A Braskem vendeu 763 mil toneladas de resina e 598 mil toneladas de principais químicos no Brasil no segundo trimestre de 2026.
As vendas de resina caíram 8% no ano e 2% no trimestre, devido sobretudo ao maior volume de importados. Já as vendas de principais químicos recuaram 5% e 4%, respectivamente, em meio à menor disponibilidade e à menor demanda pelos produtos.
No mercado internacional, as vendas de resina mostraram certa estabilidade nos Estados Unidos, mas caíram forte no México.

Spreads sobem

📈 Por outro lado, a Braskem registrou altas de até 98% nos spreads. Isto é, na diferença entre o preço de venda final e o custo ​da matéria-prima dos seus produtos.
Afinal, o conflito no Oriente Médio pressionou os preços do petróleo e dos insumos petroquímicos e ainda gerou incertezas logísticas, devido à tensão no Estreito de Ormuz. O resultado foi a elevação dos preços internacionais de resinas e de produtos químicos.
Só no Brasil, os spreads avançaram 69% em resinas e 67% em principais químicos, na comparação com o mesmo período de 2025. Já em relação ao trimestre anterior, as altas chegaram a 82% e 98%, respectivamente.

Taxa de utilização

Diante desse cenário, a Braskem tentou manter o nível de produção estável no Brasil. Com isso, a taxa de utilização das centrais petroquímicas nacionais subiu de 69% para 70% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.
A taxa, no entanto, caiu em relação aos 74% observados no mesmo período de 2025, devido à menor disponibilidade de matéria-prima no Rio de Janeiro e à redução da produção da central petroquímica do Rio Grande do Sul.
Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa de utilização ficou em 76%, impactada por paradas de manutenção. Já no México, a taxa caiu para 43%, em meio à tentativa de preservar a liquidez da Braskem Idesa.
A Braskem acumulou uma dívida bilionária, em meio à queda do mercado petroquímico e à alta dos juros nos últimos trimestres. Por isso, negocia uma reestruturação de dívidas com seus credores, que poderia incluir a recuperação judicial da subsidiária mexicana.