Brasil traça metas de crescimento no setor de minerais críticos; confira

Os objetivos constam no Plano Nacional de Mineração 2050, do governo federal.

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Publicado em 02/07/2026 às 16:38h Publicado em 02/07/2026 às 16:38h por Marina Barbosa
Os minerais críticos, como o níquel, são essenciais para a transição energética (Imagem: Shutterstock)
Os minerais críticos, como o níquel, são essenciais para a transição energética (Imagem: Shutterstock)
O Brasil quer fornecer mais de 12% da demanda global por minerais críticos e estratégicos até 2050. 
A meta consta no PNM 2050 (Plano Nacional de Mineração 2050), que foi lançado nesta quinta-feira (2) pelo Ministério de Minas e Energia e deve direcionar as próximas iniciativas do governo no setor.
⚒️ O objetivo implica no crescimento expressivo da produção nacional, já que o Brasil responde por cerca de 8,3% da demanda global por esses minerais neste momento.
A avaliação do governo é de que o país reúne "condições particularmente favoráveis para assumir posição de destaque no contexto mineral global", já que reúne vastas reservas minerais, energia limpa e experiência em atividades de mineração.
O PNM 2050 lembra ainda que a demanda por minerais críticos e estratégicos deve seguir em crescimento, diante da transição para uma economia de baixo carbono e das transformações tecnológicas e geopolíticas em curso.
Esses minerais são essenciais para a produção de itens como baterias elétricas, turbinas eólicas, semicondutores e sistemas de defesa. Porém, grande parte da sua produção está concentrada na China. Por isso, outros países têm tentado avançar nesse mercado.
O Brasil, por exemplo, vê nesses minerais uma forma de acelerar o desenvolvimento econômico e assegurar um papel estratégico no cenário internacional, mas também de reduzir vulnerabilidades internas.
"O Brasil tem algumas das maiores reservas minerais do mundo, e o PNM 2050 mostra o caminho para que nossa riqueza sirva à modernização da economia nacional", afirmou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, dizendo que o plano ainda "reafirma nossa soberania em um cenário internacional cada vez mais competitivo".

Mais investimentos

📈 O PNM 2050 reconhece, por sua vez, que é preciso elevar os investimentos e o desenvolvimento tecnológico no setor de mineração para atingir essa meta. 
Por isso, prevê o crescimento dos aportes em pesquisa mineral, de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,7 bilhões até 2050, de forma a permitir a descoberta de novos depósitos minerais.
O governo ainda pretende reduzir o tempo médio de análise dos processos minerários, de 1.300 para 780 dias, para estimular a criação de novos projetos no setor.
O PNM 2050 também estabelece metas para ampliar a participação da indústria de transformação mineral no PIB (Produto Interno Bruto). 
Neste caso, objetivo é evitar que o país seja um mero exportador de minérios brutos e avance no processamento desses minerais, garantindo presença nas etapas de maior valor agregado desta cadeia de produção.

Petrobras avalia possibilidades e Vale avança no setor

🔎 O plano do governo federal deve favorecer as empresas de minerais críticos que já atuam no Brasil e atrair novas companhias para o setor.
A Petrobras (PETR4), por exemplo, já manifestou o interesse de entrar nesse mercado. Por isso, firmou uma parceria para desenvolver tecnologias voltadas a minerais críticos para a transição energética junto com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Já a Vale (VALE3) tem avançado nesse sentido por meio da subsidiária Vale Base Metals, que é especializada na produção de minerais críticos como níquel e cobre e vem ganhando espaço nos resultados da mineradora.
Outras empresas relevantes neste setor são Sigma Lithium e Brasil Potássio, que estão listadas em bolsas estrangeiras, mas têm BDRs em negociação na B3, sob os tickers S2GM34 e GROP31.
A Serra Verde, mineradora de terras raras que recentemente foi comprada pela empresa americana USA Rare Earth (USAR), é outro player importante.