Brasil supera EUA e lidera adoção de criptomoedas no mundo

País movimentou US$ 252,5 bilhões em criptoativos nos 12 meses até junho de 2026

Author
Publicado em 23/09/2026 às 14:11h Publicado em 23/09/2026 às 14:11h por Wesley Santana
Stablecoins puxam posição do Brasil em relação às criptomoedas no mundo (Imagem: Shutterstock)
Stablecoins puxam posição do Brasil em relação às criptomoedas no mundo (Imagem: Shutterstock)

Um levantamento publicado nesta quarta-feira (23) mostra que o Brasil se tornou o país que mais movimenta criptomoedas no mundo. Só nos 12 meses até junho deste ano, foram mais de US$ 252 bilhões em operações com tokens digitais, de acordo com o Relatório da Geografia da Criptoeconomia, divulgado pela Chainalysis.

Diante disso, o país desbancou outros nomes importantes no uso dos criptoativos, como é o caso dos EUA. Mesmo assim, o país norte-americano ainda mantém a liderança no montante absoluto de movimentação, mostra o levantamento.

O estudo considerou quatro indicadores para mapear a adoção de criptomoedas pelos cidadãos: recursos mantidos em exchanges; transferências entre carteiras dentro de um mesmo país; movimentações internacionais e saldos em ativos digitais.

Leia mais: Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

Grande parte do papel do Brasil neste segmento vem das chamadas stablecoins, que são criptomoedas atreladas a algum ativo da vida real. Nas corretoras que operam no Brasil, é possível expor o patrimônio ao dólar, euro, ouro, prata e outros diversos ativos, tendo o país um verdadeiro catálogo de oportunidades.

Só em stablecoins, houve um crescimento exponencial em quase todos os cenários analisados. Nas transações de até US$ 100, a alta foi de 562% na comparação anual, enquanto nas transferências de valores de até US$ 1 mil, a aceleração foi de 250%.

No entanto, o levantamento destaca que a maior parte das transações feitas em stablecoins se refere ao setor corporativo. Essa é uma nova maneira de enviar recursos ao exterior sem precisar dos grandes intermediários que cobram taxas abusivas no câmbio.

Mudanças vêm aí

O relatório é publicado em um momento crucial para as exchanges de criptomoedas, que se adaptam a um novo cenário. Em alguns meses, elas passam a ter um marco legal que define regras rígidas para a atuação no mercado brasileiro.

Nas últimas semanas, várias fintechs focadas em criptos decidiram encerrar suas operações no país. Elas dizem que nãoé mais viável operar em um mercado como o Brasil, dado o novo cenário.

No entanto, o relatório mostra que as iniciativas nacionais se consolidaram e ganharam espaço na comparação com os players estrangeiros. Em um ano, a participação de fintechs brasileiras cresceu de 1,5% para 12,5%, na contramão do que acontece na América Latina.