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Bradesco (BBDC4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões, alta de 16,2% frente ao mesmo período de 2025 e levemente acima do consenso da Bloomberg, que projetava R$ 6,9 bilhões.
Foi o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro líquido e da rentabilidade, resultado que chegou em um momento de maior atenção do mercado após os números decepcionantes do
Santander (SANB11).
O CEO Marcelo Noronha atribuiu o desempenho à disciplina de crédito adotada pela instituição.
"Mantivemos boa tração comercial, apesar do apetite ao risco moderado, pois crescemos mais ano versus ano do que no trimestre anterior. Gerimos bem os riscos na tesouraria e no crédito. Fizemos ajuste fino nos modelos e na nossa exposição a linhas e clusters mais arriscados", afirmou.
Noronha também sinalizou cautela para os próximos meses, citando os efeitos da guerra no Oriente Médio e das eleições presidenciais. Em Nova York, as ADRs do banco, que encerraram o pregão em leve queda, passaram a subir após a divulgação dos resultados.
Banco supera custo de capital pela 1ª vez desde a alta da Selic
Com a Selic em 15%, o banco voltou a superar o custo de capital, um marco relevante na trajetória de recuperação da rentabilidade.
O resultado coloca o Bradesco à frente do Santander, que encerrou o período com ROE de 12,5%, embora ainda distante do
Itaú Unibanco (ITUB4), cujo retorno sobre patrimônio atingiu 24,3%.
Margens crescem em todas as linhas
Um dos pontos de destaque do trimestre foi o avanço consistente das margens. A margem financeira somou R$ 20,8 bilhões, alta de 4,1% no trimestre e de 15,7% em um ano.
A margem com clientes atingiu R$ 20,1 bilhões, expansão de 3,6% na comparação trimestral e de 13,8% na anual.
As receitas totais chegaram a R$ 37,6 bilhões, crescimento de 2,1% no trimestre e de 10,3% em relação ao 2T25, sustentadas pela diversificação em alta renda, consórcios e seguros, pela transformação digital e pela originação de crédito em linhas com garantias.
As receitas de prestação de serviços cresceram 1,7% em um ano, para R$ 10,4 bilhões.
Carteira de crédito chega a R$ 1,1 tri
O Bradesco expandiu a carteira de crédito mesmo em um ambiente de economia mais fraca. O saldo total avançou 4,3% no trimestre e 11,6% em um ano, alcançando R$ 1,1 trilhão. Na carteira de pessoas físicas, o crescimento foi de 8,4%, para R$ 479,7 bilhões.
Entre pequenas e médias empresas, o avanço foi de 16,1%, para R$ 267 bilhões. No segmento de grandes empresas, a carteira chegou a R$ 389 bilhões, alta de 12,7% em um ano.
A inadimplência acima de 90 dias subiu 0,1 ponto percentual no trimestre, para 4,3%, e 0,2 ponto percentual em um ano.
O banco afirmou que os indicadores estão dentro das estimativas e que a pressão concentrou-se no segmento de MPMEs, refletindo a dinâmica entre os atrasos e a realização de garantias nas operações de capital de giro.
A provisão para devedores duvidosos (PDD) totalizou R$ 9,9 bilhões, avanço de 22,6% em um ano e de 3,3% no trimestre.
📈 As despesas operacionais somaram R$ 16,4 bilhões, alta de 1,6% no trimestre e de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com as expectativas e sem comprometer o processo de ganho de eficiência em curso.