Banco do Brasil (BBAS3) prevê melhora nos resultados a partir do 4T25

A expectativa é da CEO Tarciana Medeiros e impulsiona as ações do BB na B3.

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Publicado em 24/09/2025 às 12:07h - Atualizado em 27/10/2025 às 15:47h Publicado em 24/09/2025 às 12:07h Atualizado em 27/10/2025 às 15:47h por Marina Barbosa
BB viu lucro cair no início do ano, por causa da inadimplência no agro (Imagem: Shutterstock)
BB viu lucro cair no início do ano, por causa da inadimplência no agro (Imagem: Shutterstock)

O Banco do Brasil (BBAS3) ainda sofre com a alta da inadimplência no agronegócio, mas já projeta resultados um pouco melhores a partir do quarto trimestre. Ao menos, foi o que indicou a CEO do BB, Tarciana Medeiros, nesta quarta-feira (24).

🏦 Em evento com investidores em Nova York, Tarciana Medeiros reconheceu que a inadimplência do agronegócio apresentou um "desvio completamente fora do previsto" neste ano e ainda deve pressionar os resultados do banco neste terceiro trimestre.

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Ela também disse, contudo, que já há sinais de melhora, sobretudo por causa de medidas recentes do governo que podem ajudar os produtores rurais a renegociar dívidas e os bancos a manejar as provisões contra perdas esperadas. Por isso, indicou que o BB já pode começar a ver uma redução das provisões a partir do quarto trimestre deste ano.

💡 "Estamos observando uma inadimplência resiliente ainda no terceiro trimestre, mas agora já com algumas notícias muito boas, com previsão de arrefecimento, de controle da inadimplência", declarou. E seguiu: "A gente vai começar a enxergar, a partir do final do quarto trimestre, efeitos na provisão". 

A CEO do Banco do Brasil ressaltou que essa melhora deve ser gradual, já que provisões contra perdas esperadas costumam "subir de elevador e descer de escada". Ainda assim, a perspectiva de que melhoras sejam vistas já a partir do quarto trimestre animou o mercado, impulsionando as ações do BB na B3.

📈 Às 12h, as ações do Banco do Brasil figuravam entre as mais negociadas do dia na bolsa brasileira e apresentavam uma alta de 1,76, cotadas a R$ 22,52.

De acordo com analistas, a perspectiva de que os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva conversem na próxima semana também contribui com o desempenho do papel. Afinal, um possível acordo entre Estados Unidos e Brasil reduziria o risco de sanções americanas aos bancos brasileiros.

Também entra na conta a perspectiva de que os dividendos do banco voltem a crescer em 2026. CFO do Banco do Brasil, Geovanne Tobias disse no encontro com investidores que a instituição pode rever o payout ou até liberar dividendos extras no próximo ano caso seja bem-sucedida nessa estratégia de recuperação. 

"Ano de ajustes"

Diante da alta da inadimplência no agronegócio e das provisões, o lucro do BB caiu 20,7% no primeiro trimestre e afundou 60,2% no segundo trimestre de 2025. Com isso, o banco ainda reviu as projeções para este ano, reduziu o payout e adiou o pagamento de dividendos.

Ao discutir o cenário com investidores nesta quarta-feira (24), a CEO do Banco Brasil reconheceu que este "tem sido um ano de grandes desafios", mas disse que também é "um ano de ajustes, para alicerçar o crescimento do banco no futuro".

Segundo ela, a instituição fez uma "análise bastante profunda" para entender o cenário e ajustar suas estratégias. O banco intenficou as renegociações, mas também atualizou as regras de concessão e cobrança de crédito, por exemplo, e diz que já observa uma melhora na qualidade de crédito da safra 2025/2026.

Dessa forma, o Banco do Brasil projeta um crescimento modesto da carteira de crédito do agronegócio neste ano, de 3% a 6%, mas vê espaço para uma "retomada do crescimento" mais à frente.

"Ainda tem muito trabalho para ser feito, mas temos confiança que os ajustes que estamos fazendo vão alicerçar a retomada dos resultados do banco", disse Tarciana Medeiros.