Amazon é acusada de manipular preços nos EUA e pressionar fornecedores

Justiça da Califórnia aponta prática anticoncorrencial e caso vai a julgamento em 2027.

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Publicado em 21/04/2026 às 17:30h Publicado em 21/04/2026 às 17:30h por Wesley Santana
Amazon é uma das maiores empresas de comércio eletrônico do mundo (Imagem: Shutterstuck)
Amazon é uma das maiores empresas de comércio eletrônico do mundo (Imagem: Shutterstuck)

A Justiça da Califórnia, nos Estados Unidos, acusa a Amazon (AMZO34) de ser responsável por inflar preço de podutos onlines. O Ministério Público diz que a companhia provocou seus fornecedores para que elevassem o valor de vários produtos e garantir que não fosse superada pelas concorrentes. 

Segundo o procurador-geral Rob Bonta, a empresa propôs a fixação de preços na tentativa de obter lucros ilícitos. “A Amazon está agindo ilegalmente para obter lucros, garantindo que ⁠os ‌consumidores não tenham para onde recorrer para encontrar preços mais baixos”, ⁠disse Bonta. 

Uma das evidências obtidas pelo Poder Público foi um documento em que a fabricante Levi Strauss propunha que o WalMart elevasse o preço de um produto. A calça Easy Khaki Classis era vendida por US$ 25,47 na rede de hipermercados, enquanto no site da Amazon estava disponível por US$ 30.

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O mesmo teria acontecido com itens de diferentes categoras, incluindo fertilizantes, que custavam mais barato na Home Depot. A empresa teria pedido também à fabricante Allergan para que os sites rivais subissem um colírio de US$ 13,59 para US$ 17.

"A Amazon pressionou os fornecedores a aumentarem os preços em outros lugares ou retirarem produtos de varejistas concorrentes para que a Amazon possa proteger suas margens de lucro", continuou Bonta em coletiva de imprensa. "Isso não é competição. É uma manipulação de preços, e pela lei da Califórnia, é ilegal."

A empresa deve passar por julgamento no dia 19 de janeiro de 2027, quando será batido o martelo sobre uma eventual culpa da big tech. Questionada pela imprensa dos EUA, a Amazon disse que os acordos com seus fornecedores são legais e que beneficiam os consumidores. 

"A moção do Procurador-Geral é uma tentativa transparente de desviar a atenção da fraqueza de seu caso, ocorrida mais de três anos após apresentar sua queixa baseada em supostas 'novas' evidências que possui há anos", disse o porta-voz em comunicado.

A Amazon é a quinta maior empresa do mundo, e isso lhe dá uma posição dominante em vários mercados onde atua. Nos EUA, por exemplo, controla quase metade das compras online.

Essa não é a primeira vez que a companhia é alvo de disputas na justiça que alegam atitudes anticoncorrenciais. Anteriormente, a empresa foi processada também na Europa pela mesma postura.