Os Estados Unidos fizeram uma série de exigências comerciais e políticas para aliviar o tarifaço de 50% imposto ao Brasil em 2025. Entre elas, a compra de aeronaves da
Boeing (BOEI34).
✈️ De acordo com documentos obtidos pelo "Estado de S. Paulo", o governo americano queria que as companhias aéreas brasileiras se comprometessem a adquirir aeronaves comerciais fabricadas pela Boeing nos Estados Unidos.
A proposta poderia contribuir para a recuperação dos negócios da principal fabricante de aeronaves do país, que apresentou falhas de qualidade e acumulou prejuízos bilionários nos últimos trimestres, além de ajudar a aquecer a economia americana.
Porém, também poderia implicar na redução das encomendas da
Embraer (EMBJ3), empresa brasileira que tem aproveitado o momento desafiador enfrentado pelas rivais americanas para acelerar o crescimento.
A carteira de pedidos da Embraer atingiu o patamar recorde de US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre de 2026, puxada sobretudo pelos pedidos de aeronaves comerciais.
Depois disso, a empresa brasileira ainda celebrou outros contratos, incluindo a venda de até 45 aeronaves para o grupo Abra, controlador da Gol. A Embraer também anunciou recentemente negócios com companhias aéreas do Japão, da Espanha e de Luxemburgo.
Proposta rejeitada
🧾 Além de ameaçar uma das principais empresas brasileiras, o pedido de compra das aeronaves da Boeing foi acompanhado por outras exigências consideradas "inaceitáveis" pelo governo Lula (PT).
Ao todo, o governo de Donald Trump apresentou 21 exigências ao Brasil em outubro de 2025, segundo o "Estado de S. Paulo".
Entre elas, estavam o fim das tarifas de importação sobre bens americanos, como etanol, máquinas e produtos químicos; a participação de empresas americanas em negócios envolvendo os minerais críticos brasileiros; e a realização de uma eleição presidencial "livre e justa" em 2026.
A proposta acabou sendo rejeitada integralmente pelo governo brasileiro. Depois disso, os americanos chegaram a apresentar outra lista de exigências, mais enxuta. Porém, as negociações também não avançaram.
Diante do impasse, o tarifaço americano estendeu-se até fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte das taxas.
Nova negociação em vista
💲 O governo de Donald Trump anunciou novas tarifas de até 37,5% contra o Brasil em julho de 2026, alegando práticas comerciais injustas e falhas no combate ao trabalho forçado.
A tarifa não atinge itens estratégicos para os americanos, como carnes, café, combustível e aeronaves. Por isso, não afeta empresas como a Embraer.
Mesmo assim, pode prejudicar 26,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Por isso, o governo Lula ainda tenta reverter esse tarifaço e recentemente conseguiu marcar uma nova rodada de negociação com os americanos.
O encontro deve acontecer durante a reunião preparatória do G20, que acontece entre 30 de setembro e 1º de outubro nos Estados Unidos.
Diante da revelação da primeira proposta americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (17) que era "inaceitável o documento de um país querer ter prioridade na riqueza mineral do nosso país".
"Esse documento não foi discutido, não será discutido e não está sendo discutido", declarou Lula.