Alckmin e Fonteles: Conheça os cotados para o Ministério da Fazenda em Lula 4

O próximo ministro da Fazenda terá a missão de endereçar a questão fiscal e reconquistar a confiança do mercado.

Author
Publicado em 27/10/2026 às 08:04h Publicado em 27/10/2026 às 08:04h por Marina Barbosa
Alckmin e Fonteles tiveram papel fundamental na campanha de Lula (Imagem: Reprodução/Facebook)
Alckmin e Fonteles tiveram papel fundamental na campanha de Lula (Imagem: Reprodução/Facebook)
O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já começou a discutir a composição do próximo governo. No centro das conversas, está a definição do próximo ministro da Fazenda, que terá a missão de conduzir a política fiscal e, assim, tentar reconquistar a confiança do mercado financeiro. 
Inicialmente, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) era o mais cotado para o cargo. Porém, outro nome ganhou força nos últimos dias: o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Acompanhe todas as notícias pelo celular! Baixe o app

Alckmin

Alckmin conquistou a confiança de Lula nos últimos anos e teve uma atuação decisiva para a reeleição do petista. Tanto que foi elogiado pelo companheiro de chapa logo após o resultado do segundo turno das eleições de 2026.
"Feliz o presidente que tem um vice da qualidade, da lisura de comportamento e da lealdade que eu tenho no Alckmin", disse Lula, no discurso de vitória.
Além disso, Alckmin sempre demonstrou preocupação com a questão fiscal e defende o avanço de reformas como a tributária. Tem um bom trânsito com o mercado financeiro e o setor produtivo, tendo desempenhado um papel fundamental na negociação sobre as tarifas americanas. Por isso, apareceu como um nome natural para o cargo ainda durante a campanha eleitoral.

Fonteles

Nos últimos dias, porém, Rafael Fonteles também passou a ser apontado como o possível futuro ministro da Fazenda. 
Filiado ao PT desde a juventude, ele foi o governador mais bem votado nas eleições de 2026: recebeu 70,90% dos votos válidos do primeiro turno no Piauí, o equivalente a 1,4 milhão de votos. 
Depois disso, atuou na coordenação da campanha do segundo turno de Lula e incentivou o então candidato à reeleição a ampliar a presença nas redes sociais, inclusive por meio de vídeos no formato de selfie.
No discurso de vitória, Lula fez duas menções a Fonteles: disse que ganhou um celular do "comandante Rafael" para ampliar a comunicação digital e falou que queria incentivar os investimentos na economia digital, na economia verde e na economia criativa, "como diria o Rafael".
Apesar da recente atuação política, Fonteles também é apontado como um nome qualificado tecnicamente para o cargo. Ele é bacharel em Matemática e mestre em Economia Matemática pelo IMPA/RJ (Instituto de Matemática Pura e Aplicada). 
Foi secretário da Fazenda do Piauí entre 2015 e 2022, durante os governos de Wellington Dias (PT), e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal) nos três últimos anos como secretário.

O que dizem os cotados?

Em entrevistas realizadas nos últimos dias, os dois cotados a ministro da Fazenda negaram ter discutido o assunto com Lula. 
Diante da fala de Donald Trump de que a reeleição de Lula parecia "fraudada", Alckmin defendeu a integridade do sistema eleitoral brasileiro e disse que continuaria negociando a questão tarifária com os Estados Unidos.
Já Fonteles disse ver com "naturalidade" a reação do mercado à reeleição de Lula e garantiu que o petista tem compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
"Às vezes, não é exatamente o que o mercado deseja ou sinaliza, mas ele não é presidente apenas para quem atua nos mercados, ele é presidente pensando no todo", afirmou.

E o atual ministro?

Em meio a tudo isso, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo federal vai apresentar uma proposta para reforçar o cumprimento da meta fiscal ainda em 2026.
Durigan é cotado para assumir outro ministério a partir de 2027, possivelmente o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que era comandado por Alckmin até o início da campanha eleitoral.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad também deve ter um espaço na Esplanada dos Ministérios, mas a pasta ainda não está definida.