Ações da MBRF (MBRF3) despencam 10% com saída de fundo árabe; o que esperar agora?

Venda de 70 milhões de papéis pressiona cotação e investidores miram balanço do 1T26

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Publicado em 15/04/2026 às 17:50h - Atualizado em 15/04/2026 às 17:54h Publicado em 15/04/2026 às 17:50h Atualizado em 15/04/2026 às 17:54h por Wesley Santana
Sadia é uma das subsidiárias da MBRF (Imagem: Shutterstuck)
Sadia é uma das subsidiárias da MBRF (Imagem: Shutterstuck)

A MBRF (MBRF3) nem teve tempo de comemorar a notícia da véspera e já se deparou com um prejuízo nesta quarta-feira (15). Os papéis do frigorífico caíram mais de 10% no pregão, com os ativos retornando para o patamar abaixo de R$ 20.

O desempenho vem na esteira da notícia de que o fundo de investimentos árabe Salic vendeu um bloco importante de ações da MBRF. No total, mais de 70 milhões de papéis saíram da carteira.

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Os árabes disseram que o valor captado na venda será usado para quitar um negócio adquirido há alguns meses em Cingapura. Além disso, deve também servir para apoiar futuras compras dentro do Brasil.

Mesmo com a venda, a Salic mantém posição na MBRF, agora com cerca de 10% do capital social do frigorífico. Nenhum dos dois lados quis comentar o negócio.

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A decisão dos árabes foi divulgada apenas um dia depois que a MBRF informou ao mercado que obteve autorização na Arábia Saudita para a criação da Sadia Halal. A joint venture com o fundo soberano árabe nasce com um aporte de US$ 2 bilhões.

“A Sadia Halal nasce como fortalecimento da parceria com a HPDC, consolidando os ativos da MBRF na região e abrindo uma nova frente de crescimento em um mercado extremamente promissor”, afirma Marcos Molina, chairman da Sadia Halal e CEO da MBRF para a Arábia Saudita. “O mercado halal é um importante vetor de crescimento global para a indústria de alimentos, e nosso foco é fortalecer parcerias de longo prazo”, diz.

No pregão de terça, os papéis da companhia fecharam o pregão com alta de 4%, a R$ 21,80, segundo a B3. Os investidores ficaram interessados com a promessa de um eventual IPO da nova unidade de carne voltada ao público muçulmano.

Quando sai o balanço?

Agora, os olhos do mercado estão voltados para o balanço do 1T26, que deve sair nos próximos dias. Conforme calendário divulgado pela MBRF, os números serão publicados no dia 14 de maio.

Na análise do BTG Pactual, a companhia deve aumentar em até 1% sua receita anual, chegando a R$ 40 bilhões. Por outro lado, pode perder mais de 10% em Ebitda, que pode terminar o período abaixo dos R$ 500 milhões.

“Projetamos EBITDA de R$ 483 milhões, com margens estáveis na base anual, mas recuo de 120 pontos-base ante o 4T25. A rentabilidade na América do Sul deve se contrair diante da alta nos preços do gado no Brasil, enquanto na América do Norte as margens devem permanecer pressionadas, com o EBITDA próximo do breakeven, praticamente estável no comparativo anual”, veem Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.