O
fim da escala 6x1 pode provocar mudanças nos custos e nas margens de empresas listadas na B3, especialmente nos setores que dependem de equipes presenciais e de atendimento em horários ampliados.
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O varejo tende a sentir parte dos efeitos dessa alteração por reunir operações que exigem muitos funcionários e funcionam também aos fins de semana.
Para preservar o nível de atendimento, as companhias podem precisar ampliar as equipes, elevando as despesas com pessoal e pressionando as margens operacionais. Esse aumento de custos também pode ser repassado, ao menos parcialmente, aos consumidores.
“Parte desse aumento pode acabar sendo repassada ao consumidor. Por outro lado, acredito que essa mudança também deve acelerar os investimentos em automação e inteligência artificial, justamente para tentar compensar o aumento dos custos e manter a produtividade”, afirma Lucas Magalhães, diretor executivo da GTN Group no Brasil.
Como o fim da escala 6x1 pode afetar a B3?
Os possíveis impactos não se limitam às empresas que precisarão adaptar suas equipes. Segundo André Bobek, consultor financeiro e CEO da Mhydas Planejamento Financeiro, é necessário distinguir os efeitos sobre as companhias listadas daqueles que poderiam atingir diretamente a operadora do mercado de capitais.
A eventual mudança na jornada de trabalho não altera, por si só, a dinâmica operacional da Bolsa. Seus reflexos sobre a B3SA3 dependerão de como as novas condições afetarão os resultados das empresas negociadas, o volume de operações e a disposição dos investidores para aplicar em renda variável.
“Se o aumento das despesas pressionar as margens e houver repasse aos preços, o cenário também pode trazer implicações para a inflação e para as expectativas de juros. Em um ambiente de maior incerteza, os investidores podem exigir um retorno maior para assumir riscos, pressionando o valuation de determinadas empresas”, explica Bobek.
Tecnologia e eficiência podem fazer a diferença
Diante da possibilidade de custos mais elevados, a capacidade de adaptar processos e preservar a geração de caixa pode ganhar importância na avaliação das empresas.
Investimentos em tecnologia, automação e inteligência artificial aparecem como alternativas para tentar manter a produtividade mesmo com mudanças na organização das jornadas de trabalho.
Para Bobek, o desempenho da B3SA3 dependerá dos efeitos mais amplos sobre o mercado acionário. “Nesse contexto, a capacidade das empresas de ganhar eficiência, investir em tecnologia e preservar a geração de caixa será um fator importante para a avaliação dos ativos”, afirma.
Assim, embora setores intensivos em mão de obra possam enfrentar pressão sobre os custos, os efeitos sobre as ações dependerão da capacidade de cada companhia de absorver as mudanças, adaptar suas operações e manter os resultados financeiros.