Eleições 2026: Zema pede reforma no STF e promete privatizar Petrobras (PETR4)

O candidato à presidência da República defendeu mudanças no Judiciário, criticou a política atual e justificou pesquisas ao lado do vice Girão.

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Publicado em 06/08/2026 às 16:53h - Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h Publicado em 06/08/2026 às 16:53h Atualizado em 25/08/2026 às 19:05h por Matheus Silva
Zema defendeu a mudança dos critérios de indicação para o STF (Imagem: Shutterstock)
Zema defendeu a mudança dos critérios de indicação para o STF (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidenciável Romeu Zema (Novo) defendeu nesta quinta-feira (6) uma "mudança profunda no Judiciário" e classificou o momento atual do país como um "regime de exceção." As declarações foram feitas durante sabatina na Globonews, em que o ex-governador de Minas Gerais também justificou o baixo desempenho nas pesquisas e confirmou a composição da chapa com o senador Girão como vice.
"O que nós temos vivido hoje, o brasileiro sabe muito bem, é um tapa na cara diariamente. Nós que ralamos, que trabalhamos cedo, não conseguimos pagar as nossas contas e quem está lá em Brasília fica conseguindo contrato aí de milhões por causa de um cargo", declarou.
O candidato defendeu a mudança dos critérios de indicação para o STF e propôs a criação de uma lista tríplice elaborada em conjunto por diversas instituições. "Me comprometo aqui. Eu, como presidente, quero que chegue para mim uma lista de notáveis. Gostaria muito que nós já fizéssemos essa mudança, que a OAB colaborasse, o Superior Tribunal de Justiço, o Ministério Público Federal e o Senado na elaboração dessa lista tríplice", afirmou.
A crítica ao Judiciário veio também no contexto da denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Zema por um vídeo em que o candidato ironizou o ministro Gilmar Mendes, representando-o como um fantoche que pedia "uma diária no resort Tayayá" em troca da anulação de pedidos de quebra de sigilo de familiares do ministro Dias Toffoli.

Candidato cita eleição de 2018 em MG para minimizar pesquisas

Questionado sobre o desempenho pouco competitivo nas pesquisas de intenção de voto, que o colocam em 2% inclusive em Minas Gerais, Zema recorreu à sua trajetória política para contextualizar os números. 
"Se dependesse de pesquisa, eu nunca teria sido eleito governador em 2018. Até o último dia antes da eleição, eu estava lá atrás. E na última hora, na hora que o mineiro foi ver em quem votar, ele viu que tinha um cara lá que tinha ralado a vida inteira desde criança, que era diferente do sistema e que merecia um voto de confiança", disse.
O ex-governador também confirmou e defendeu a escolha do senador Girão como vice da chapa do Novo. A definição ocorreu a poucos dias do término do prazo fixado pela Justiça Eleitoral para a deliberação sobre as chapas, após tratativas frustradas com outros nomes. 
Entre os cogitados estavam o empresário Geraldo Rufino (Podemos), lançado para o Senado por São Paulo, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa (DC) e o cientista político Felipe d'Ávila, que disputou o Planalto em 2022 e terminou em sexto lugar. As negociações com todos eles não avançaram, levando o partido a buscar uma solução interna.

Zema defende privatização da Petrobras

Durante a entrevista, Zema também apresentou os pilares econômicos de sua candidatura, agrupados sob o que chamou de "quatro choques" para o país. O primeiro e mais polêmico é a privatização de estatais, com a Petrobras (PETR4) no topo da lista. 
"Primeiro quero privatizar tudo, a começar pela Petrobras. Nós privatizamos 118 empresas, vamos fazer uma reforma administrativa. Vamos fazer uma reforma previdenciária e vamos melhorar os programas sociais", afirmou o presidenciável.

Modelo Bukele de segurança

Na agenda de segurança pública, Zema foi além das críticas ao Judiciário e apresentou propostas concretas. O candidato defende a adoção de um modelo inspirado na política de encarceramento implementada por Nayib Bukele em El Salvador, que ficou mundialmente conhecida pela construção de superpresídios e pela queda acentuada nos índices de violência no país centro-americano.

Para Zema, o problema central no Brasil é o baixo custo de se tornar criminoso. "Hoje esse custo está no chão, então está valendo a pena ser criminoso no Brasil, e a maioria dos brasileiros está cansando disso. Não estamos podendo pegar o celular na rua e caminhar numa calçada, porque chega alguém e leva", afirmou.

O candidato também defendeu a classificação das facções criminosas como organizações terroristas, medida que, segundo ele, liberaria o uso do aparato estatal completo no combate ao crime. "Nós vamos enquadrar todas as facções criminosas como terroristas e, com isso, todo o aparato estatal, as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Coaf vão poder agir. Isso não acontece porque tem muitos políticos se beneficiando do crime organizado, inclusive o banqueiro bandido chegou até os ministros do Supremo", declarou.

Família Bolsonaro e tarifaço dos EUA

Questionado se a responsabilidade pelas tarifas de Trump contra o Brasil recairia também sobre a família Bolsonaro, dado que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro chegou a comemorar as sanções, Zema foi direto na resposta: 
"Com toda certeza. Se ele pode e gosta tanto de contribuir, deveria ter feito bem para os brasileiros." O candidato, que habitualmente poupa críticas à família do ex-presidente, tem como principal adversário na disputa o senador Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo.
Na sabatina, o ex-governador voltou ao tema do trabalho infantil e reafirmou não ver problema em crianças realizando atividades como entregar jornal, algo que ele mesmo fez no passado. 
"Parece que criança não pode nem arrumar a cama que parece que está fazendo algo diferente. Entregar jornal não tem problema", disse. O candidato também voltou a defender a ampliação dos programas de menor aprendiz para maiores de 14 anos. "Precisamos dar facilidade para jovens que querem trabalhar sem prejudicar nas escolas", completou.

Zema pede desculpas por declaração sobre mulheres

Sobre a declaração anterior de que "mulheres têm outras atribuições em casa, como cuidar dos filhos," Zema admitiu que deveria ter sido mais preciso. 
O candidato afirmou que se referia ao fato de que a maioria das mulheres cuida de crianças e idosos, "mais de 80%", e reconheceu ter generalizado. "Deveria ser mais preciso e sou totalmente favorável a trabalhar", disse.
Em outra passagem da entrevista, Zema confirmou que não divulgou os valores de isenções fiscais concedidas a empresas em Minas Gerais durante sua gestão, incluindo R$ 2 milhões à Eletrozema, empresa da família. 
📊 A justificativa foi estratégica: "Se todos os Estados publicassem, eu publicaria, mas poucos publicaram. Você vai dar publicidade para que outros possam atrair investimentos?", argumentou. Segundo o candidato, a isenção foi concedida ao setor de e-commerce como um todo, categoria em que a Eletrozema atua com vendas.