🚀 O cenário para o varejo brasileiro em 2026 deve ser moldado por uma combinação delicada entre política monetária e resiliência do consumo, segundo análise do UBS BB.
Para o banco, o ano exigirá maior seletividade dos investidores, já que o desempenho do setor não deve ser homogêneo.
De acordo com o relatório, embora o mercado já antecipe o início de um ciclo de cortes de juros, os preços das ações ainda não refletem completamente a magnitude esperada desse movimento.
Historicamente, o varejo supera o
Ibovespa (IBOV) em mais de 38 pontos percentuais ao longo de ciclos de afrouxamento monetário.
Os vetores que devem mexer com o setor
O banco destaca dez temas centrais para 2026. A massa salarial deve alcançar R$ 4,2 trilhões, com crescimento nominal desacelerando para 10%.
Benefícios sociais estimados em R$ 277 bilhões e a nova faixa de isenção de
Imposto de Renda para rendas até R$ 5 mil, com impacto de R$ 28 bilhões, devem sustentar o consumo, ainda que de forma moderada.
Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias segue elevado, entre 47% e 49% da renda, com o serviço da dívida consumindo cerca de 29% do orçamento mensal. A migração para linhas de crédito mais caras, como cartão, adiciona pressão.
No campo setorial, o e-commerce deve atingir R$ 423 bilhões, com crescimento de 21%. O mercado de medicamentos GLP-1, voltados para perda de peso, pode dobrar para R$ 20 bilhões, impulsionado pelo fim da patente da semaglutida em março de 2026.
As principais apostas
A Smart Fit aparece como a principal escolha, com projeção de crescimento de 30% no lucro por ação e múltiplo de 14 vezes lucro estimado para 2026. O banco destaca economias de escala, efeitos de rede e a força da plataforma TotalPass como diferenciais competitivos.
A Raia Drogasil é vista como a principal beneficiária da expansão do mercado de GLP-1. O UBS BB projeta lucro 11% acima do consenso e crescimento de 21% no lucro por ação, sustentado pela capilaridade e liderança na distribuição de medicamentos de maior valor agregado.
Já a Alpargatas surge como aposta de recuperação, com projeções de lucro 22% acima do esperado pelo mercado. A queda nos custos de commodities deve favorecer margens, e o banco estima dividend yield próximo de 8%.
A C&A, por sua vez, é descrita como caso de “retorno assimétrico”, negociando a cerca de 7 vezes o lucro projetado para 2026. O UBS BB destaca a geração de caixa e o balanço sólido como fatores que limitam riscos e abrem espaço para reprecificação.
Recomendações e preços-alvo
📈 Para o UBS BB, 2026 será menos sobre “comprar o setor” e mais sobre escolher bem os nomes. O ciclo de juros pode ajudar, mas a diferença entre vencedores e perdedores tende a ser maior, e a disciplina na seleção deve fazer a diferença no retorno.