Tesouro lança títulos em euro e volta ao mercado europeu após 10 anos

Governo oferta papéis com vencimento até 2036 para atrair investidores estrangeiros

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Publicado em 15/04/2026 às 12:24h Publicado em 15/04/2026 às 12:24h por Wesley Santana
Euro é uma das moedas mais importantes do mundo (Imagem: Shutterstuck)
Euro é uma das moedas mais importantes do mundo (Imagem: Shutterstuck)

Nesta quarta-feira (15), o Tesouro Nacional confirmou o lançamento de três novos títulos no mercado internacional. Os produtos estarão em euro, com foco nos investidores do velho continente.

As três ofertas trazem vencimentos diferentes: Euro 2030, Euro 2033 e Euro 2036, com até dez anos de prazo. Os valores de cada emissão ainda não foram divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional.

A oferta de títulos em euro já havia sido ventilada na semana passada pela pasta, mas sem confirmação oficial. Desta vez, o governo traz inclusive o nome dos bancos que lideram a oferta: BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS.

A emissão marca um retorno do Brasil a um mercado que já foi explorado anteriormente, mas não recebe ofertas há pelo menos 10 anos. Diante disso, tanto a emissão do título quanto o pagamento no vencimento serão feitos na moeda da União Europeia, que se consolidou como uma das mais fortes do mundo.

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“Após uma rodada bem-sucedida de conversas com investidores realizada ontem, e diante de condições favoráveis de mercado, o Tesouro Nacional anunciou, na manhã de hoje, a oferta de títulos denominados em euros, retornando ao mercado europeu após mais de uma década de ausência de emissões nesse segmento”, diz comunicado do órgão federal.

A emissão acontece no momento em que os estrangeiros estão comprados na renda fixa brasileira, que tem um dos juros mais altos do mundo. Os investidores procuram títulos em dólares e em reais para compor a carteira de investimentos com baixo risco.

“Dada a grande liquidez e a demanda por títulos do mercado externo, a intenção é aproveitar esse momento e atuar com mais agressividade, com mais presença, mais frequência e intensidade”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.

A pasta também já afirmou que está buscando outras alternativas para dobrar os vencimentos de longo prazo e alcançar 7% da dívida pública. Por isso, emissões em yuan chinês também estão no radar do Planalto, que, se confirmado, será uma captação inédita.

Em fevereiro deste ano, o Tesouro informou sua última captação em dólar, quando colocou na rua um título de 10 anos. No mesmo dia, iniciou um benchmark para a oferta de produtos com vencimento marcado para 2056, ou seja, em 30 anos.

“O aumento da frequência e do volume de emissões em dólares americanos, combinada com a ampliação da inserção em diferentes segmentos globais, reforça o objetivo de aumentar a participação da dívida cambial até seu benchmark. Esse movimento, somado ao monitoramento das tendências internacionais de renda fixa, permite adaptar a atuação às oportunidades, inclusive por meio de títulos temáticos, atraindo novos perfis de investidores”, disse o Tesouro.