📈 O alívio que tomou conta dos juros após o primeiro turno das eleições começou a perder força no
Tesouro Direto.
Nesta sexta-feira (16), as taxas dos títulos públicos voltaram a subir, e os papéis prefixados retornaram ao patamar acima de 13% ao ano, devolvendo parte da forte queda registrada na semana seguinte à votação.
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Por volta das 14h03, o Tesouro Prefixado 2032 oferecia rentabilidade de 13,04% ao ano. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 pagava 13,05%, e o Prefixado 2029 apresentava taxa de 12,86%.
Taxas sobem até 55 pontos-base em uma semana
O movimento representa uma reversão parcial do rali pós-eleitoral. Na sexta-feira passada (9), o Prefixado 2032 oferecia 12,49% ao ano, e o papel com juros semestrais de 2037 pagava 12,51%.
Em apenas uma semana, as taxas avançaram 55 e 54 pontos-base, respectivamente.
Na ocasião, os investidores passaram a precificar a possibilidade de uma mudança na condução da política econômica, sobretudo na área fiscal, em caso de alternância no governo.
Juros seguem abaixo do nível pré-eleição
Mesmo com a alta recente, as taxas ainda estão bem distantes dos patamares registrados antes da votação.
Em 2 de outubro, o Prefixado 2032 oferecia 14,21% ao ano, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2037 pagava 14,28%. Ou seja, apesar da devolução desta semana, a maior parte da queda acumulada desde o primeiro turno permanece nos preços.
O que a alta das taxas significa para o investidor
A subida dos juros tem efeitos diferentes conforme a situação de cada investidor. Para quem pretende fazer novas aplicações, a alta significa uma remuneração maior.
Para quem já tem títulos em carteira, porém, o efeito imediato é uma queda no preço de mercado desses papéis.
Isso acontece porque, na
renda fixa, o preço dos títulos e as taxas negociadas caminham em sentidos opostos, mecanismo conhecido como marcação a mercado.
Quando as taxas sobem, os títulos já emitidos com taxas menores perdem valor para quem precisar vendê-los antes do vencimento. Quem leva o papel até o fim, por outro lado, recebe exatamente a rentabilidade contratada no momento da compra.
Tesouro IPCA+ também volta a pagar mais
A alta dos juros alcançou também os títulos atrelados à inflação. O Tesouro IPCA+ 2032 oferecia rentabilidade de
IPCA mais 6,83% ao ano nesta sexta, acima dos 6,68% registrados no fechamento da semana anterior.
Entre os papéis de vencimento mais longo, o Tesouro IPCA+ 2040 pagava IPCA mais 6,75%, e o Tesouro IPCA+ 2050 oferecia IPCA mais 6,72%. Já o Tesouro Selic 2031 apresentava remuneração de Selic mais 0,0979% ao ano.
📊 Confira as taxas dos principais títulos nesta sexta-feira (16)
Pós-fixados
- Tesouro Reserva 2036: Selic, com investimento mínimo de R$ 1,00
- Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0979%, com investimento mínimo de R$ 200,23
Prefixados
- Tesouro Prefixado 2029: 12,86% ao ano, com investimento mínimo de R$ 7,67
- Tesouro Prefixado 2032: 13,04% ao ano, com investimento mínimo de R$ 5,30
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 13,05% ao ano, com investimento mínimo de R$ 8,69
Atrelados à inflação
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 6,83%, com investimento mínimo de R$ 32,52
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 6,86%, com investimento mínimo de R$ 46,07
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 6,75%, com investimento mínimo de R$ 19,42
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 6,76%, com investimento mínimo de R$ 45,37
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,72%, com investimento mínimo de R$ 10,22
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 6,73%, com investimento mínimo de R$ 43,88
Títulos de objetivo
- Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra: entre IPCA + 6,68% e IPCA + 6,78%, conforme o vencimento
- Tesouro Educa+: entre IPCA + 6,73% e IPCA + 6,84%, conforme o vencimento
Pesquisas mostram disputa apertada
O cenário eleitoral continua no centro das atenções dos investidores, a nove dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Duas pesquisas divulgadas nesta sexta-feira reforçaram a incerteza em torno do resultado.
Segundo a CNT/MDA, Flávio Bolsonaro aparece com 46,8% das intenções de voto, contra 45,9% de Lula, diferença de apenas 0,9 ponto percentual.
Já o levantamento da Futura Inteligência mostra o senador com 49%, ante 47,5% do presidente, uma distância de 1,5 ponto percentual.
Os dois levantamentos apontam empate técnico entre os candidatos, considerando suas respectivas margens de erro. Na quinta-feira (15), o Datafolha havia registrado
Flávio com 47% e Lula com 45%.
Embora o mercado tenha reagido de forma positiva à vantagem de Flávio no primeiro turno, as novas sondagens mostram que a disputa segue indefinida.
📊 Nesse ambiente, as expectativas sobre o próximo governo e sua política fiscal continuam pesando sobre a precificação dos ativos brasileiros, incluindo os títulos do Tesouro Direto.