Tesouro Direto devolve parte do rali eleitoral e taxas sobem acima de 13%

O Tesouro Prefixado 2032 voltou a pagar 13,04% ao ano nesta sexta-feira (16), mas segue bem abaixo dos 14,21% de antes da eleição.

Author
Publicado em 16/10/2026 às 16:39h - Atualizado em 16/10/2026 às 18:02h Publicado em 16/10/2026 às 16:39h Atualizado em 16/10/2026 às 18:02h por Matheus Silva
A CNT/MDA mostrou Flávio com 46,8% e Lula com 45,9%, empate técnico (Imagem: Shutterstock)
A CNT/MDA mostrou Flávio com 46,8% e Lula com 45,9%, empate técnico (Imagem: Shutterstock)
📈 O alívio que tomou conta dos juros após o primeiro turno das eleições começou a perder força no Tesouro Direto. 
Nesta sexta-feira (16), as taxas dos títulos públicos voltaram a subir, e os papéis prefixados retornaram ao patamar acima de 13% ao ano, devolvendo parte da forte queda registrada na semana seguinte à votação.
Acompanhe todas as notícias pelo celular! Baixe o app
Por volta das 14h03, o Tesouro Prefixado 2032 oferecia rentabilidade de 13,04% ao ano. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 pagava 13,05%, e o Prefixado 2029 apresentava taxa de 12,86%.

Taxas sobem até 55 pontos-base em uma semana

O movimento representa uma reversão parcial do rali pós-eleitoral. Na sexta-feira passada (9), o Prefixado 2032 oferecia 12,49% ao ano, e o papel com juros semestrais de 2037 pagava 12,51%. 
Em apenas uma semana, as taxas avançaram 55 e 54 pontos-base, respectivamente.
A queda anterior havia sido impulsionada pela reação do mercado ao resultado do primeiro turno, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 
Na ocasião, os investidores passaram a precificar a possibilidade de uma mudança na condução da política econômica, sobretudo na área fiscal, em caso de alternância no governo.

Juros seguem abaixo do nível pré-eleição

Mesmo com a alta recente, as taxas ainda estão bem distantes dos patamares registrados antes da votação. 
Em 2 de outubro, o Prefixado 2032 oferecia 14,21% ao ano, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2037 pagava 14,28%. Ou seja, apesar da devolução desta semana, a maior parte da queda acumulada desde o primeiro turno permanece nos preços.

O que a alta das taxas significa para o investidor

A subida dos juros tem efeitos diferentes conforme a situação de cada investidor. Para quem pretende fazer novas aplicações, a alta significa uma remuneração maior. 
Para quem já tem títulos em carteira, porém, o efeito imediato é uma queda no preço de mercado desses papéis.
Isso acontece porque, na renda fixa, o preço dos títulos e as taxas negociadas caminham em sentidos opostos, mecanismo conhecido como marcação a mercado.
Quando as taxas sobem, os títulos já emitidos com taxas menores perdem valor para quem precisar vendê-los antes do vencimento. Quem leva o papel até o fim, por outro lado, recebe exatamente a rentabilidade contratada no momento da compra.

Tesouro IPCA+ também volta a pagar mais

A alta dos juros alcançou também os títulos atrelados à inflação. O Tesouro IPCA+ 2032 oferecia rentabilidade de IPCA mais 6,83% ao ano nesta sexta, acima dos 6,68% registrados no fechamento da semana anterior.
Entre os papéis de vencimento mais longo, o Tesouro IPCA+ 2040 pagava IPCA mais 6,75%, e o Tesouro IPCA+ 2050 oferecia IPCA mais 6,72%. Já o Tesouro Selic 2031 apresentava remuneração de Selic mais 0,0979% ao ano.
📊 Confira as taxas dos principais títulos nesta sexta-feira (16)

Pós-fixados

  • Tesouro Reserva 2036: Selic, com investimento mínimo de R$ 1,00
  • Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0979%, com investimento mínimo de R$ 200,23

Prefixados

  • Tesouro Prefixado 2029: 12,86% ao ano, com investimento mínimo de R$ 7,67
  • Tesouro Prefixado 2032: 13,04% ao ano, com investimento mínimo de R$ 5,30
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 13,05% ao ano, com investimento mínimo de R$ 8,69

Atrelados à inflação

  • Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 6,83%, com investimento mínimo de R$ 32,52
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 6,86%, com investimento mínimo de R$ 46,07
  • Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 6,75%, com investimento mínimo de R$ 19,42
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 6,76%, com investimento mínimo de R$ 45,37
  • Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,72%, com investimento mínimo de R$ 10,22
  • Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 6,73%, com investimento mínimo de R$ 43,88

Títulos de objetivo

  • Tesouro RendA+ Aposentadoria Extra: entre IPCA + 6,68% e IPCA + 6,78%, conforme o vencimento
  • Tesouro Educa+: entre IPCA + 6,73% e IPCA + 6,84%, conforme o vencimento

Pesquisas mostram disputa apertada

O cenário eleitoral continua no centro das atenções dos investidores, a nove dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Duas pesquisas divulgadas nesta sexta-feira reforçaram a incerteza em torno do resultado.
Segundo a CNT/MDA, Flávio Bolsonaro aparece com 46,8% das intenções de voto, contra 45,9% de Lula, diferença de apenas 0,9 ponto percentual. 
Já o levantamento da Futura Inteligência mostra o senador com 49%, ante 47,5% do presidente, uma distância de 1,5 ponto percentual. 
Os dois levantamentos apontam empate técnico entre os candidatos, considerando suas respectivas margens de erro. Na quinta-feira (15), o Datafolha havia registrado Flávio com 47% e Lula com 45%.
Embora o mercado tenha reagido de forma positiva à vantagem de Flávio no primeiro turno, as novas sondagens mostram que a disputa segue indefinida. 
📊 Nesse ambiente, as expectativas sobre o próximo governo e sua política fiscal continuam pesando sobre a precificação dos ativos brasileiros, incluindo os títulos do Tesouro Direto.