Sem Porto e Fleury, JP Morgan vê outras alternativas para Oncoclínicas (ONCO3)

Com a perda do apoio da Porto e Fleury, a companhia ainda negocia alternativas de capitalização, segundo o JP Morgan.

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Publicado em 14/04/2026 às 20:42h Publicado em 14/04/2026 às 20:42h por Matheus Silva
Segundo o banco, a saída das empresas na negociação não surpreende (Imagem: Divulgação/Oncoclínicas)
Segundo o banco, a saída das empresas na negociação não surpreende (Imagem: Divulgação/Oncoclínicas)
🚨 A Oncoclínicas (ONCO3) viu frustrada uma possível operação de capitalização após o fim das negociações com a Porto Seguro (PSSA3) e o Fleury (FLRY3). O prazo de exclusividade entre as empresas se encerrou no último domingo (12), sem acordo.
Apesar da desistência, analistas do JP Morgan avaliam que outras alternativas seguem na mesa e podem ser mais favoráveis aos acionistas minoritários da companhia.
Segundo o banco, a saída de Porto e Fleury não surpreende diante do cenário atual da Oncoclínicas. A companhia atravessa um momento de forte instabilidade, marcado por mudanças na governança e elevado nível de endividamento.
Durante o período de negociação, a empresa passou por eventos relevantes, como a destituição do conselho de administração, o pedido de medida cautelar contra credores e a redução de participação por parte de acionistas relevantes do período pré-IPO.
Na avaliação dos analistas, esse ambiente aumentou significativamente o risco de uma operação estratégica.
Além disso, o modelo discutido anteriormente levantava preocupações sobre a preservação de valor para os acionistas. Segundo o JP Morgan, havia o risco de que investidores da Oncoclínicas se tornassem sócios de uma estrutura fragilizada, com baixa liquidez e alto grau de alavancagem.

Novas alternativas de capitalização

Mesmo com o fim das negociações com Porto e Fleury, a Oncoclínicas ainda possui caminhos em análise para reforçar sua estrutura financeira.
Entre eles, está o interesse da MAK Capital, que avalia realizar um aporte de aproximadamente R$ 500 milhões na companhia, condicionado a ajustes.
Além disso, a empresa já confirmou o recebimento de uma proposta não vinculante envolvendo a própria MAK Capital, em conjunto com a Lumina Capital Management, no valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões.
Essa operação poderia ser estruturada por meio da criação de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), com a cessão de cerca de R$ 200 milhões em recebíveis.
Segundo o JP Morgan, uma eventual capitalização tende a ocorrer diretamente na Oncoclínicas, podendo ser acompanhada por uma reestruturação adicional da dívida.

Assembleia será decisiva

O próximo marco relevante será a assembleia geral marcada para o dia 30 de abril, quando os acionistas deverão deliberar sobre propostas em discussão e a nova composição do conselho de administração.
A definição da governança é considerada um passo essencial para dar maior visibilidade ao futuro da companhia e avançar nas negociações com investidores.
A deterioração financeira da Oncoclínicas também se reflete nos números recentes. No quarto trimestre de 2025, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão, ampliando as perdas em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Ebitda ajustado somou R$ 238,8 milhões, com queda de 24%, enquanto a receita líquida recuou 12,6%, totalizando R$ 1,37 bilhão.
Parte das dificuldades está associada à estratégia adotada após o IPO, em 2021. A empresa expandiu sua atuação para além das clínicas oncológicas, investindo na aquisição e desenvolvimento de hospitais gerais.
No entanto, o movimento não trouxe os resultados esperados, principalmente pela complexidade operacional dessas unidades, o que contribuiu para o aumento da alavancagem e do consumo de caixa.

O que está no radar

Com múltiplas frentes de negociação em andamento, o futuro da Oncoclínicas segue em aberto. A companhia busca uma solução que permita equilibrar sua estrutura financeira e retomar a estabilidade operacional.
📊 Para o mercado, o foco permanece na capacidade de execução dessas alternativas e na definição de um novo modelo de governança.