Todo investidor que se preze já ouviu falar da
Selic, que dá nome ao Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Esse sinônimo de
renda fixa brasileira foi capaz de movimentar R$ 7 trilhões por dia durante 2025, conforme dados do Relatório de Administração do Selic divulgados nesta sexta-feira (24).
Ao final do ano, o valor total dos títulos custodiados (o dinheiro guardado), incluindo os títulos da carteira do Banco Central e os títulos em tesouraria do Tesouro Nacional, chegou a R$ 12,1 trilhões.
Só o
Tesouro Selic, o único título público com liquidez diária até o momento, detinha R$ 5,4 trilhões do total em custódia. Fora que é o único investimento de renda fixa 100% ancorado no rendimento da
Selic Over, atualmente em 14,65% ao ano, dado que a
Selic Meta é de 14,75% ao ano.
Na sequência, cerca de R$ 2 trilhões estavam aplicados em
Tesouro Prefixado, modalidade em que o investidor trava a sua rentabilidade na compra e garante tais juros compostos se carregar até o vencimento.
Entre os títulos indexados à inflação, o
Tesouro IPCA+ angariou R$ 2,8 trilhões ao governo brasileiro, ao passo que o
Tesouro IPCA+ com pagamento de juros semestrais captou quase R$ 1 bilhão. Como a nomenclatura sugere, tais títulos públicos asseguram juros reais acima da variação inflacionária, uma alternativa para manter o poder de compra.
Pra quê serve o Selic?
Para quem não sabe, a Selic é, na verdade, uma infraestrutura que dá sustento ao mercado financeiro brasileiro, sendo administrada pelo Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, com apoio da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), desde 1981.
“Esta é a oitava edição do relatório, que dá transparência aos principais números do Selic, mostrando a importância desta infraestrutura estratégica para o funcionamento do mercado financeiro brasileiro”, afirma Francisco Vidinha, superintendente do sistema Selic.
O número de instituições financeiras que entraram no sistema Selic subiu de 565 em dezembro de 2024 para 592 no final de 2025. Só os
bancos ocupam a maior fatia, com 171 participantes (28,9% do total), e as cooperativas de crédito seguem na segunda posição, com 82 instituições (13,9%).
Durante 2025, o cálculo da taxa Selic Over considerou, em média, 856 operações diárias, com valor financeiro correspondente a R$ 1,3 trilhão.
Tal cálculo considera a média ponderada pelo volume financeiro das taxas de juros das operações compromissadas de prazo de um dia útil realizadas com os títulos públicos federais custodiados no sistema Selic.
Para que a Selic Over esteja em linha com a meta definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) a cada 45 dias, o próprio Banco Central realiza operações compromissadas com o mercado financeiro.