Em tempos de
taxa Selic nas alturas, os títulos de
renda fixa acabaram por sustentar a procura por
fundos de investimento, modalidade em que o investidor coloca o seu dinheiro nas mãos de um gestor profissional. Todavia, os fundos de renda fixa começaram a dar para trás em 2026.
A classe dos
fundos de renda fixa apresentou captação líquida negativa de R$ 19,3 bilhões em abril de 2026, conforme dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) nesta semana.
“A cautela do investidor em relação ao crédito privado continuou em abril e isso pode ter se refletido nos fundos. Como a renda fixa vem de um trimestre muito forte, é natural acontecer algum ajuste no curto prazo. Vamos monitorar para avaliar se esse foi um movimento pontual ou uma tendência”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima. A média de rendimento da categoria foi de 1,07% ao mês.
Logo, a
indústria de fundos de investimento em sua totalidade teve também captação líquida negativa de R$ 18,1 bilhões no mês passado, que não foi culpa apenas da baixa procura por renda fixa. Já que os
fundos multimercados (aqueles que aplicam tanto em renda fixa quanto em renda variável) tiveram resgates líquidos de R$ 5,4 bilhões no período.
Em contrapartida, os
FIDCs (Fundos de Direitos Creditórios) abocanharam saldo positivo de R$ 4,5 bilhões em abril de 2026, evidenciando que certa parcela da renda fixa ainda soube aproveitar o ambiente de juros elevados, apesar do ambiente do corporativo de recuperações judiciais.
Na sequência, os
ETFs (Fundos de Índices) somaram R$ 4 bilhões, reforçando o crescente interesse dos investidores por produtos passivos. Também ficaram no positivo os
fundos de ações brasileiras, que registraram R$ 187,3 milhões de captação líquida, evidenciando a retomada do apetite por ativos de risco.