O governo brasileiro não quer depender apenas do
Tesouro Direto para captar recursos. Por isso, tem expandido a emissão de títulos de
renda fixa no exterior e está prestes a chegar a mais um mercado.
✈️ O ministro da Fazenda, Dario Durigan, lidera uma missão oficial à China nesta semana e um dos seus principais objetivos é a articulação da emissão de títulos da dívida brasileira na moeda chinesa, o
yuan.
Esse tipo de título é chamado de Panda-Bond e, na avaliação do Tesouro Nacional, será importante para aprofundar a presença do Brasil no mercado global.
"Estamos dando a largada ao processo que vai permitir a emissão de títulos brasileiros em yuan, os chamados Panda-Bons. O nome remete a um bichinho simpático, mas, na prática, significa que, ao fim do processo, o mercado financeiro chinês terá acesso a títulos da dívida brasileira", afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal.
Segundo ele, esse processo é importante para ampliar a base de investidores e diversificar os indexadores da dívida pública brasileira, mas também para dar referência às empresas que pretendem acessar esse mercado.
Projetos sustentáveis
O Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões de investimentos da China em 2025, despontando como o principal destino global dos aportes chineses no ano, de acordo com o CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China).
A parceria tornou-se ainda mais estratégica para o governo diante da tensão comercial com os Estados Unidos, que ameaçam impor novas tarifas aos produtos brasileiros.
Por isso, a missão do Ministério da Fazenda ainda vai aproveitar a viagem à China para discutir investimentos em projetos sustentáveis, por meio do programa Eco Invest Brasil.
Outros mercados
💶 Este não é o único mercado externo na mira do governo brasileiro. Em abril, o Tesouro Nacional também emitiu títulos de dívida em
euros.
A iniciativa permitiu a captação de 5 bilhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 29 bilhões no câmbio da época, e já desponta como a maior emissão de títulos internacionais do Brasil.
O objetivo de longo prazo do governo brasileiro é converter 7% da sua dívida em títulos cambiais. Isto é, mais do que dobrar a posição atual, de aproximadamente 3,8%.