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Quem acompanha as notícias provavelmente já deve ter ouvido falar no El Niño. Esse é um fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico e provoca efeitos nos continentes, sobretudo no campo.
Há quem pense que é só mais um evento da natureza, mas ele pode impactar seriamente o agronegócio, que é o principal motor da economia brasileira. Com as águas superaquecidas, ocorrem secas, chuvas intensas e outros problemas que afetam as safras.
Neste ano, o El Niño está previsto para acontecer entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro de 2027. Diante disso, parte dos analistas já está estudando quais serão os impactos para a economia e, consequentemente, para a população.
Para muitos economistas, ainda é cedo para entender quais serão os verdadeiros efeitos do fenômeno, mas eles dizem que não dá para subestimá-lo. No entanto, afirmam que ele pode ser forte a ponto de impactar o preço dos alimentos e até a conta de energia.
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Isso acontece porque ele muda completamente a dinâmica do campo, especialmente nas plantações de soja, milho e café. Este último é um dos principais produtos consumidos pelos brasileiros, portanto, tem peso crucial no movimento da inflação oficial.
“Quando ocorre redução da oferta agrícola, os preços tendem a subir. Isso afeta diretamente os alimentos consumidos pelas famílias e também produtos derivados, como carnes, leite e ovos, já que os custos de ração podem aumentar”, alerta Alex André, da MZ Group, em entrevista ao Bora Investir.
No caso da conta de luz, os economistas lembram que o Brasil depende fortemente das usinas hidrelétricas, que funcionam conforme o volume de chuvas. Diante de uma eventual escassez hídrica, será preciso acionar fontes alternativas de geração de energia, o que demanda gasto adicional e o acionamento do sistema de bandeiras da Aneel.
Apesar deste cenário, há quem seja mais otimista e até projete que o Brasil esteja fora de preocupações. A Universidade de Oxford, no Reino Unido, fez um levantamento comparando o possível impacto do El Niño em 20 mercados emergentes e destacou que o Brasil pode passar quase ileso na próxima temporada.
O levantamento considerou que chuvas mais intensas podem ajudar na produção agrícola em algumas regiões do país, incluindo a Argentina nesse mesmo cenário. Os estudiosos não descartam uma oscilação nos preços de diversos grãos, mas dizem que a situação pode não ser tão ruim quanto se projeta.
Nesta semana, o Instituto Nacional de Meteorologia publicou uma nota dizendo que já está monitorando as atividades do El Niño, que já está estabelecido no Oceano. O órgão destacou que o sistema deve ganhar intensidade durante a primavera austral, que começa em 22 de setembro.
“Historicamente, episódios de El Niño estão associados à redução das chuvas em áreas das regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de estiagens, redução da umidade do solo e impactos sobre os recursos hídricos. Em contrapartida, a Região Sul tende a registrar precipitações acima da média, elevando a probabilidade de eventos de chuva intensa, alagamentos e cheias de rios em algumas localidades”, destaca o órgão.
A entidade também afirmou que outros diversos órgãos acompanham a movimentação e emitem alertas sempre que necessário. Dentro do seu escopo, segue avaliando as previsões e emitindo boletins para atualizar a sociedade brasileira.
“O INMET reforça que mesmo episódios muito intensos não produzem necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões do Brasil. No entanto, quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser sua influência sobre os padrões do sistema climático do país, ao influenciar o comportamento da temperatura e da precipitação, aumentando as probabilidades de ocorrência dos impactos climáticos associados ao fenômeno”, finaliza o comunicado.
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