Natura (NATU3) antecipa resultados piores que o esperado no 2T26; veja projeções

A receita líquida deve ser afetada pela redução das vendas e por desafios operacionais.

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Publicado em 08/07/2026 às 11:55h Publicado em 08/07/2026 às 11:55h por Marina Barbosa
Natura enfrenta ambiente fraco de consumo no Brasil (Imagem: Divulgação)
Natura enfrenta ambiente fraco de consumo no Brasil (Imagem: Divulgação)
A Natura (NATU3) preferiu não esperar o início da temporada de balanços para preparar os seus acionistas para os resultados do segundo trimestre de 2026.
⚠️ A empresa avisou nesta terça-feira (8) que segue enfrentando dificuldades no Brasil e, por isso, deve fechar o trimestre com mais uma forte queda da receita.
Com base nas informações disponíveis até esta data, a Natura projeta uma receita líquida consolidada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões para o segundo trimestre de 2026.
Isso significa que a receita da companhia deve cair de 9% a 10% em relação ao mesmo período de 2025 -um baque ainda maior que o registrado no primeiro trimestre.
📉 Nos três primeiros meses deste ano, a receita da Natura afundou 7,7%, para R$ 4,75 bilhões. Já o prejuízo cresceu para R$ 445 milhões.
Na ocasião, a diretoria da Natura ainda avisou que os números só deveriam começar a se recuperar no segundo semestre, quando os cortes de funcionários anunciados nos últimos meses devem impactar as contas.
Talvez por causa desse alerta prévio as ações da Natura sobem forte na B3 nesta quarta-feira (8), mesmo depois da empresa antecipar uma queda de até 10% da receita do segundo trimestre. Às 11h20, o papel avançava 5,47% e era negociado a R$ 8,49.

O que pesou?

💄 De acordo com a Natura, a receita do segundo trimestre de 2026 foi afetada negativamente pelo ambiente de consumo desaquecido no Brasil.
Os dados ainda foram afetados por desafios e ajustes operacionais internos, como o fechamento da fábrica de Interlagos, a reformulação dos contratos de franquia e um descasamento temporário de tributos.
O impacto foi maior do que o previsto inicialmente pela empresa e não deve ser compensado pelo crescimento de vendas registrado em outros mercados, especialmente na região hispânica.

Margem Ebitda pode melhorar

Ainda assim, a Natura acredita que a rentabilidade deve crescer na comparação com o primeiro trimestre de 2026, em função de menores despesas sequenciais com rescisões e captura de eficiências do novo modelo operacional.
A Natura ressaltou, por sua vez, que os dados apresentados nesta quarta-feira (8) são preliminares e não auditados. Logo, estão sujeitos a revisão, ajustes e acréscimos. O resultado oficial será divulgado no dia 10 de agosto. Veja a agenda de balanços do 2T26.
"O objetivo desta divulgação é garantir a ampla, simultânea e equitativa disseminação de informações relevantes ao mercado, tendo em vista a evolução das informações disponíveis à administração durante o processo de fechamento trimestral", afirmou.

O plano de recuperação

A Natura tem atuado em quatro frentes principais para tentar driblar esses desafios e voltar a gerar receita de forma consistente no Brasil:
  • Reconfigurações na cadeia de abastecimento, com a possibilidade de ganhos no curto prazo;
  • Ajustes nos incentivos da força de vendas, combinados com comunicação e ofertas mais regionalizadas e focadas em categorias de alto giro;
  • Novos formatos de vendas digitais, incluindo a expansão para novos marketplaces e a aceleração da nova loja digital das consultoras;
  • Retomada do ritmo acelerado de abertura de lojas, com novas franquias já sob o novo modelo de contrato, que promete alinhar os interesses do franqueado e do franqueador.
Além disso, o mercado vê espaço para uma melhoria na governança da Natura, agora que a gestora americana Advent International elevou a sua participação na empresa e deve indicar dois nomes para o Conselho de Administração.
O JP Morgan, por exemplo, acredita que a gestora pode contribuir para uma execução mais eficiente da estratégia, maior disciplina na alocação de capital e apoio em decisões estratégicas da Natura. Por isso, mantém uma recomendação de compra para as ações da empresa, com um preço-alvo de R$ 14.