🔎 A iniciativa faz parte da estratégia da companhia de vender ativos para reduzir o endividamento e será tocada em parceria com a gestora JiveMauá.
A ideia da MRV é usar o FII para vender três empreendimentos da Luggo, subsidiária que desenvolve projetos voltados ao mercado de aluguel.
Para isso, a construtora assinou em julho um memorando de entendimento com a JiveMauá, para que a gestora constituísse e assumisse a gestão desse fundo.
O fundo se chamará Mauá Capital Luggo Fundo de Investimento Imobiliário e acaba de ser registrado junto à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Em comunicado publicado nesta quinta-feira (24), a MRV informou que o regulamento e o registro da oferta pública de distribuição das primeiras cotas do FII já foram apresentados à CVM.
Porém, ressaltou que a venda dos ativos da Luggo permanece sujeita à assinatura dos documentos definitivos e à superação de outras condições precedentes previstas no memorando de entendimento com a JiveMauá.
O FII
🏢 O Mauá Capital Luggo Fundo de Investimento Imobiliário vai receber três empreendimentos imobiliários da Luggo.
Os imóveis estão localizados nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília e somam 437 unidades residenciais, que já estão em fase avançada de locação, segundo a MRV. Veja os detalhes:
- Luggo Pampulha: 118 unidades;
- Luggo Mauá: 119 unidades;
- Luggo Samambaia: 200 unidades.
Impacto no balanço
💲 A MRV pretende levantar R$ 166 milhões com a venda desses empreendimentos. Dessa forma, projeta um impacto positivo de R$ 146 milhões na geração de caixa do terceiro trimestre de 2026.
A transação está alinhada à estratégia de geração de caixa, desalavancagem e simplificação operacional da MRV&CO.
A construtora também tem vendido ativos da Resia, a subsidiária voltada ao mercado dos Estados Unidos, para tentar limpar o balanço.
A expectativa é atingir uma dívida líquida de R$ 4,6 bilhões após a conclusão dessas transações, uma redução de 22% frente à dívida de R$ 5,9 bilhões registrada ao final do segundo trimestre de 2026.
E a Luggo?
Os imóveis que serão vendidos através do FII são os últimos da antiga safra de projetos da Luggo.
A proptech segue atuando na administração de ativos, mas não tem mais nenhum empreendimento pronto ou em construção no momento. De acordo com a MRV, a situação reflete o peso dos juros altos no mercado imobiliário.
Dessa forma, a Luggo teve um prejuízo líquido de R$ 9,9 milhões no segundo trimestre de 2026. Já a MRV registrou um resultado negativo de R$ 626,3 milhões no período.
De acordo com o Santander, a expectativa é que a Luggo adote uma estratégia menos intensiva em capital, iniciando novos projetos apenas quando houver maior visibilidade de venda dos ativos.
O banco avaliou de forma positiva a venda dos últimos empreendimentos da empresa, quando o negócio foi anunciado pela MRV em julho, por entender que a operação concluiu a monetização do portfólio legado da Luggo e reduz o capital alocado a operações não essenciais.