Mistura do etanol na gasolina sobe de 30% para 32%; entenda os impactos

Governo Lula tenta amenizar a disparada do petróleo por conta da retomada da guerra no Irã.

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Publicado em 14/07/2026 às 15:15h Publicado em 14/07/2026 às 15:15h por Lucas Simões
Ações da Jalles Machado (JALL3) disparam +4% com o noticiário do etanol (Imagem: Shutterstock)
Ações da Jalles Machado (JALL3) disparam +4% com o noticiário do etanol (Imagem: Shutterstock)
Com a cotação do petróleo tipo Brent beirando os US$ 85 por barril, o governo Lula aprovou nesta terça-feira (14) a elevação do percentual de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, sob validade inicial de 180 dias e com possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo período.
Através do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), um órgão interministerial que assessora o presidente do Brasil nas políticas relacionadas aos combustíveis, o governo Lula tenta tornar o percentual de 32% do etanol na gasolina uma medida permanente, apesar de críticas de entidades do setor automotivo. Tal mudança traz uma economia de 500 milhões de litros por mês de gasolina importada.
"Estamos completamente seguros de avançar para essa mistura. Muitos dos nossos veículos circulam com 100% de etanol. Eles estão preparados. A previsão é de que entre em vigor em primeiro de agosto", disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, aos jornalistas.
São dois os tipos de etanol disponíveis no mercado de combustíveis: o etanol hidratado (que é usado diretamente nas bombas de abastecimento para veículos compatíveis, que incluem o modelo flex) e o etanol anidro (usado na mistura da gasolina comum, pois passa por processo de desidratação na usina sucroalcooleira).
Apesar do maior uso de biocombustíveis diminuir a necessidade de importação de combustíveis fósseis, medida especialmente vantajosa dadas as tensões geopolíticas no Oriente Médio, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) se mostrou contrária ao maior emprego de etanol no mix dos combustíveis, alertando sobre o maior risco de danos aos veículos 100% movidos por gasolina.
"Os testes com combustível contendo até 32% de etanol foram realizados apenas para contemplar a margem de tolerância prevista na especificação do E30 (mistura 30% de etanol) e não para comprovar a segurança e a compatibilidade de uma mistura obrigatória de E32 (mistura 32% de etanol). Além disso, a especificação do E32 admite combustíveis com teor de etanol de até 34%, condição que também não foi objeto de validação técnica específica", disse a Anfavea, em nota.

Qual é o impacto na bolsa de valores? 

Como já deu para sacar, o aumento da mistura do etanol anidro reduz a demanda doméstica por gasolina fóssil produzida pela Petrobras (PETR4), o que, na visão dos analistas, traz impactos marginalmente negativos à estatal.
Todavia, a medida não é inteiramente prejudicial para a petroleira, uma vez que a mesma terá menor necessidade de importar gasolina no exterior, em operações onerosas.
Por volta das 15h (horário de Brasília), as ações da Petrobras (PETR4) tinham ligeira baixa de -0,25%, apesar de o petróleo tipo Brent avançar +1,25%, negociado a US$ 84,32 por barril, após o presidente americano Donald Trump recuar da decisão de cobrar pedágio no Estreito de Ormuz.
Quem realmente se deu melhor com o noticiário do etanol foi a sucroalcooleira Jalles Machado (JALL3), cujas ações subiam mais de +4%, ao redor de R$ 2,13 cada, enquanto o Ibovespa apreciava-se apenas +0,13%, na região dos 175.967,25 pontos.
Apesar de figurar como a maior produtora de etanol do mundo, os papéis da Raízen (RAIZ4) cediam, -6,06%, valendo R$ 0,31 cada. O baixo preço de tela da companhia na B3 reforça oscilações percentuais abruptas, fora o próprio desafio da companhia em renegociar R$ 65 bilhões em dívidas.