A inflação oficial brasileira deu novos sinais de desaceleração em julho e, com isso, voltou a ficar dentro da meta perseguida pelo BC (Banco Central).
O resultado é o menor desde agosto de 2025, quando a inflação teve um resultado negativo. Em junho, por exemplo, o IPCA havia subido 0,16%.
Com isso, a inflação passou a acumular uma alta de 3,44% no ano e de 4,44% no acumulado dos últimos 12 meses, voltando a ficar dentro da meta do BC.
A meta é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%, e não havia sido cumprida nos últimos dois meses.
Mercado esperava mais
📊 Ainda assim, o resultado do IPCA veio ligeiramente acima da expectativa do mercado, que projetava uma alta de 0,03% no mês e de 4,40% no acumulado em 12 meses.
A "surpresa" chegou a mexer com os juros futuros na abertura do mercado nesta terça-feira (11). Porém, na avaliação do especialista em investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, não deve mudar as apostas para a
Selic.
"Como a diferença entre realizado e projetado pelos analistas foi bem pequena, acredito que o Copom ainda terá um tom mais cauteloso, observando outras diretrizes de fora e outros dados de inflação para os próximos meses", afirmou.
De acordo com o
Boletim Focus, o mercado projeta mais um corte de juros para este ano, que levaria a taxa Selic dos atuais 14,00% para 13,75% ao ano. Porém, prevê uma pausa no ciclo de cortes de juros depois disso, com os ajustes voltando apenas em 2027.
O que influenciou o IPCA?
A inflação voltou a desacelerar em julho devido à queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis. O resultado só não foi menor por causa dos gastos com a energia elétrica.
🍅 Segundo o IBGE, a inflação dos alimentos recuou 0,67% no mês, devido a uma redução de 1,14% nos preços da alimentação no domicílio.
O destaque foi do tomate, que caiu 29,09% no mês, mas produtos como batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%) também pesaram menos no bolso do consumidor.
Já os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos em média, com o etanol recuando 2,26%, a gasolina diminuindo 1,37% e o óleo diesel cedendo 1,22%, enquanto o gás veicular variou -0,08%.
Apesar disso, a inflação dos transportes teve um resultado positivo de 0,05%, devido ao salto de 11,67% das passagens aéreas.
💡 Os gastos com habitação subiram 0,99%, puxados pela energia elétrica residencial, que ficou 3,09% mais cara devido aos reajustes tarifários implementados em cidades como São Paulo e Porto Alegre, para além da manutenção da bandeira amarela na conta de luz.
Reajustes nos planos de saúde também impediram uma desaceleração maior da inflação, pois pressionaram as despesas com saúde e cuidados pessoais.
Veja o comportamento dos grupos do IPCA em julho de 2026:
- Habitação: 0,99%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,40%;
- Despesas pessoais: 0,22%;
- Artigos de residência: 0,07%;
- Transportes: 0,05%;
- Comunicação: 0,04%;
- Educação: -0,03%;
- Vestuário: -0,66%;
- Alimentação e bebidas: -0,67%.