A prévia da inflação oficial brasileira surpreendeu e voltou a acelerar em setembro.
📈 O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) subiu 0,70% no mês, deixando para trás a deflação de 0,40% registrada em agosto.
O resultado ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava um aumento de 0,53% dos preços, segundo a "Reuters".
Com isso, o IPCA-15 passou a acumular uma alta de 3,82% no ano e de 4,47% em 12 meses.
Ou seja, o índice voltou a se aproximar do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
Impacto para a Selic
💲 O resultado do IPCA-15 pode mexer com as projeções do mercado para a taxa básica de juros, a
Selic.
Nas últimas semanas, os analistas passaram a ver espaço para mais um corte de juros em 2026, devido à desaceleração da inflação e da atividade econômica brasileira. Tanto que a projeção para a Selic caiu de 13,75% para 13,50% no último
Boletim Focus.
Essa projeção, no entanto, pode ser revista caso os preços continuem avançando acima do esperado. Afinal, o
Copom (Comitê de Política Monetária) já avisou que o rumo da Selic depende da evolução do cenário econômico.
O que pressionou os preços?
💡 Os preços da energia elétrica explicam a variação do IPCA-15, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Isso porque a incorporação do Bônus de Itaipu trouxe um alívio para a conta de luz em agosto, mas o fim do benefício fez o preço da energia elétrica disparar em setembro, pressionando o IPCA-15.
Segundo o IBGE, o preço da energia elétrica residencial diminuiu 6,25% em agosto, mas avançou 7,42% em setembro. Com isso, os custos com habitação saltaram 2,07% neste mês.
Apesar do peso da conta de luz, todos os outros grupos de produtos e serviços que compõem a prévia de inflação mostraram alta em setembro.
🍅 A alimentação e bebidas, por exemplo, também havia registrado deflação em agosto (-0,57%). Porém, voltou a subir em setembro (+0,40%).
O resultado reflete sobretudo o aumento de itens para consumo no domicílio, como tomate (20,76%), arroz (2,39%) e carnes (1,30%).
As despesas com transportes também voltaram a pesar no bolso do brasileiro, por causa da alta de 9,82% das passagens aéreas e do aumento de combustíveis (0,22%) como o gás veicular (1,56%) e a gasolina (0,30%).
Além disso, o reajuste de 14% do cigarro levou a uma alta de 0,96% das despesas pessoais no mês.
Veja como os grupos do IPCA-15 se comportaram em setembro de 2026:
- Habitação: 2,07%;
- Despesas pessoais: 0,96%;
- Transportes: 0,60%;
- Artigos de residência: 0,55%;
- Comunicação: 0,54%;
- Vestuário: 0,41%;
- Alimentação e bebidas: 0,40%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,13%;
- Educação: 0,03%.