Inter (INBR32) despenca 15% após balanço forte mas com alta na inadimplência

Mercado ignora crescimento e foca na deterioração do crédito; banco digital viu lucro crescer 38%.

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Publicado em 07/05/2026 às 18:35h Publicado em 07/05/2026 às 18:35h por Wesley Santana
Inter tem cerca de US$ 3 bilhões em valor de mercado (Imagem: Shutterstock)
Inter tem cerca de US$ 3 bilhões em valor de mercado (Imagem: Shutterstock)

O Banco Inter (INBR32) teve um dia para esquecer na bolsa de valores nesta quinta-feira (7). As ações deste que é um dos maiores bancos do país despencaram na bolsa de valores de Nova York (NYSE), onde estão listadas.

No fechamento do pregão, os papéis somaram uma baixa de 14,5%, com cada um alcançando o piso de US$ 6,70. O mesmo aconteceu com os BDRs da fintech, negociados na B3, que caíram mais de 15% e fecharam o dia em R$ 32,70.

O resultado veio mesmo algumas horas depois de o banco digital publicar um balanço relevante, em que reportou um salto de 38% no lucro líquido do primeiro trimestre de 2026. No total, foram R$ 395 milhões livres no período, conforme destaca o documento.

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Houve uma melhora também no ROE (retorno sobre o patrimônio líquido), que chegou ao fim de março em 15,5%, ganhando 263 pontos-base na comparação anual. Já no total de clientes, são 44 milhões de consumidores, sendo que a maioria é considerada ativa.

Em teleconferência de resultados, o CFO Santiago Stel assumiu que a empresa tem visto um ritmo mais lento de rentabilidade, mas destacou que há compromisso com as metas.

“Desde que o plano começou, já se passaram 60% dos cinco anos previstos. E estamos bem próximos de ter uma evolução de 60% das metas finais”, afirmou. “Em clientes, estamos adiantados; em eficiência, estamos exatamente onde deveríamos estar; e em ROE, estamos ligeiramente abaixo disso”, continuou.

Para os analistas, porém, o problema está na qualidade dos ativos do banco, que tem o Nubank (ROXO34) como seu principal concorrente. Parte dos bancos ganhou pressão neste trimestre dado o cenário de inadimplência entre os brasileiros.

No caso do Inter, o índice de atrasos subiu para 5,1%, assumindo um risco de 0,5 ponto percentual adicional em um ano. Além disso, houve aumento também no custo do risco, que chegou ao patamar de 5,6%, de acordo com o balanço.

“Essa deterioração se torna um ponto de atenção, na medida em que supera a alta de inadimplência tipicamente observada no padrão sazonal do início de 2025, mesmo com um mix mais colateralizado”, afirmam os analistas da XP Investimentos, por meio de relatório.

O Safra também seguiu pelo mesmo caminho, mostrando apreensão em relação à inadimplência de curto prazo. “Chamamos a atenção para algumas tendências na qualidade dos ativos, especialmente o aumento de 60 pontos-base na inadimplência de curto prazo em relação ao trimestre anterior, como um possível sinal de deterioração, e não apenas um efeito da composição da carteira”, diz o banco de investimentos.