Light (LIGT3) pede fim da recuperação judicial e anuncia aumento de capital
A operação foi realizada por meio da emissão de 238.473.768 novas ações ordinárias.
Estes últimos dias devem ter sido de pura celebração nos corredores da Light (LIGT3), geradora de energia elétrica que passa por recuperação judicial. O Ministério de Minas e Energia aprovou a renovação automática do contrato de concessão por mais 30 anos.
A decisão aconteceu na última sexta (8), quando a pasta seguiu a recomendação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). De quebra, a companhia ainda viu seu contrato receber mudanças importantes que devem abrir espaço para a compensação de perdas financeiras em relação à segurança pública do Rio de Janeiro.
Agora, “o furto de energia, perdas não técnicas, a inadimplência e os indicadores de qualidade serão tratados de forma distinta nessas áreas”, disse o CEO Alexandre Nogueira ao Brazil Journal. “A forma como isso vai acontecer ainda está sendo debatida, mas o reconhecimento disso no contrato já é um avanço substancial”.
Leia mais: IPO da Compass não animou o IBOV, e olha que a VALE3 subiu quase 3%
A renovação acontece em um momento crucial para a companhia, que vem tentando colocar as contas em dia para continuar em pleno funcionamento. A dívida líquida já foi reduzida pela metade, mas a empresa ainda tem de pagar R$ 4,9 bilhões.
Com a concessão renovada, a empresa já pode começar a pensar no médio prazo e já projeta conduzir R$ 10 bilhões em investimentos. O valor será usado para melhorias no fornecimento de energia dos 31 municípios fluminenses onde atua.
“Com esses R$ 10 bilhões conseguimos resolver os problemas mais críticos da rede, mas não todos”, continuou o CEO. “Os ativos da Light chegaram à exaustão técnica. Os cabos de cobre da rede subterrânea do Rio têm que ser trocados; os cabos da Ilha do Governador precisam ser trocados; a rede que fornece energia para os municípios do Vale do Paraíba é composta por redes incompatíveis com o nível de qualidade que queremos entregar. Tem redes que não são protegidas numa região altamente arborizada”.
A renovação deu também espaço para que a companhia enxergue a saída da recuperação judicial, amparada em um processo de capitalização. “São os últimos atos para a gente pedir a nossa saída do processo de recuperação judicial”, declarou.
Na bolsa de valores, a empresa amarga uma queda de 12% apenas em 2026, o que faz com que as ações sejam negociadas abaixo de R$ 5. No total, hoje a companhia tem cerca de R$ 1,5 bilhão em valor de mercado, número bem distante de suas principais concorrentes em outros estados, caso da Cemig (CMIG4), que vale mais de R$ 38 bilhões, ou da CPFL (CPFE3), que passa de R$ 54 bilhões.
“A Light será uma empresa nova, focada em fazer os investimentos necessários, buscar a melhoria do atendimento ao consumidor e a sustentabilidade do negócio, com uma alavancagem adequada para todos os seus desafios futuros”, promete o CEO.
A operação foi realizada por meio da emissão de 238.473.768 novas ações ordinárias.
A companhia elegeu Stefano Miranda como CEO, com 26 anos no setor elétrico, e Leonardo Gadelha como diretor de RI.