Governo envia orçamento de 2027 com superávit de apenas 0,1% do PIB nesta semana

Para Bruno Moretti, da pasta do Planejamento, a medida amplia verbas ao Novo PAC e prevê contingenciamentos se a arrecadação cair.

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Publicado em 30/08/2026 às 18:10h Publicado em 30/08/2026 às 18:10h por Matheus Silva
A proposta prevê um salário mínimo de R$ 1.741 (Imagem: Shutterstock)
A proposta prevê um salário mínimo de R$ 1.741 (Imagem: Shutterstock)
💰 O governo federal enviará ao Congresso nesta segunda-feira (31) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, o último a ser apresentado no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A proposta prevê superávit primário efetivo pouco acima de 0,1% do PIB e salário mínimo de R$ 1.741, chegando ao Congresso em meio a preocupações crescentes do mercado com a trajetória fiscal e o endividamento público.
As despesas obrigatórias sujeitas ao limite de gastos devem avançar entre 6,8% e 6,9%, abaixo da correção máxima de 7,7% permitida pelo arcabouço fiscal. 
Esse espaço permitirá ao governo elevar em cerca de 20% as despesas discricionárias, categoria que inclui investimentos e o funcionamento da máquina pública.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a mudança deve abrir mais espaço para investimentos no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e para eventuais bloqueios de recursos caso as receitas frustrem as expectativas. 
"Tenho em torno de R$ 180 bilhões de discricionárias hoje e vou crescer mais ou menos 20% em cima dessa base", afirmou Moretti ao Valor Econômico.

Governo projeta economia de R$ 100 bilhões

A nova composição orçamentária considera uma economia total de aproximadamente R$ 100 bilhões em 2027. Desse montante, R$ 80 bilhões viriam do pacote fiscal anunciado em 2024, e cerca de R$ 20 bilhões, de mecanismos de contenção de despesas. 
Entre as medidas estão a limitação do crescimento real dos gastos com pessoal a 0,6%, com economia estimada em R$ 10 bilhões, além de mudanças no cálculo de despesas vinculadas e no piso da saúde.
A meta oficial para 2027 é de superávit de 0,5% do PIB, equivalente a R$ 73,2 bilhões. O cálculo, porém, exclui parte dos precatórios e outros gastos autorizados a ficar fora da meta fiscal. 
Ao considerar essas despesas, o superávit efetivo recua para pouco mais de 0,1% do PIB. Ainda assim, o resultado representa melhora em relação ao déficit de 0,4% projetado para 2026.

Dívida bruta pode chegar a 87% do PIB

Mesmo com a melhora projetada, o resultado seria insuficiente para conter o crescimento da dívida pública. A dívida bruta está atualmente próxima de 82% do PIB e, segundo projeções do Banco Central, pode atingir 87% em 2027. 
A Instituição Fiscal Independente (IFI) estima que seria necessário um superávit de 2,1% do PIB para colocar o endividamento em trajetória de queda, patamar bem acima do que o governo projeta alcançar.
O governo afirma que não pretende incluir novas medidas de arrecadação para fechar as contas do orçamento. 
📈 A proposta deve contar com receitas provenientes de leilões de petróleo e, possivelmente, com a capitalização integral de R$ 6 bilhões destinada aos Correios.