🚨 O Brasil precisa promover uma ampla agenda de reformas para destravar a produtividade e ampliar seu potencial de crescimento. A avaliação é da Kinea, que organizou suas propostas em torno dos chamados "10 mandamentos da produtividade brasileira", abrangendo desde simplificação tributária até estímulo à inovação.
"O desafio brasileiro não é descobrir o caminho. É atravessá-lo", afirma a gestora no relatório, argumentando que os principais entraves ao crescimento já são amplamente conhecidos. "Não falta esforço ao Brasil. Falta um sistema que transforme esforço em resultado", complementa o documento.
Na avaliação da Kinea, o país vive há décadas preso a uma estrutura econômica marcada por tributação complexa, baixa concorrência, infraestrutura deficiente, insegurança jurídica e políticas públicas frequentemente pouco avaliadas.
Os motores que impulsionaram a economia entre 1950 e 1980, como urbanização acelerada, industrialização protegida e expansão do investimento estatal, foram esgotados, e o Brasil falhou na transição para um modelo baseado em eficiência, inovação, educação e competição.
📊 Confira os 10 mandamentos da produtividade, segundo a Kinea:
- Simplificar a tributação
- Não criar exceções eternas
- Abrir a economia à competição
- Investir em infraestrutura como plataforma de produtividade
- Educar para aprender, não apenas para matricular
- Permitir que empresas cresçam
- Alocar capital pelo mérito econômico
- Garantir segurança jurídica e concorrência
- Avaliar políticas públicas antes de preservá-las
- Transformar inovação em estratégia horizontal
Reforma tributária é "a maior reforma de produtividade em curso"
O primeiro mandamento é a simplificação do sistema tributário. "O sistema tributário deve deixar de ser uma máquina de má alocação", afirma a Kinea. Segundo o relatório, empresas brasileiras frequentemente tomam decisões de investimento, contratação e localização com base em regras tributárias, não em critérios de eficiência econômica.
A gestora classifica a reforma tributária do consumo como "a maior reforma de produtividade em curso", destacando a substituição de tributos federais, estaduais e municipais por um modelo de IVA dual. Além disso, defende a revisão dos benefícios fiscais concedidos a setores específicos.
"O país precisa substituir a pergunta 'quem perde o benefício?' por outra: 'qual retorno social esse benefício entrega?'", questiona o relatório.
Abertura comercial e infraestrutura como alavancas de produtividade
A Kinea faz defesa explícita da abertura econômica. "A abertura comercial deve ser entendida como uma reforma de produtividade", afirma, argumentando que maior competição tende a estimular inovação, reduzir custos de insumos e ampliar a integração das empresas brasileiras às cadeias globais de produção.
Na área de infraestrutura, o relatório é categórico. "Não haverá produtividade moderna sobre infraestrutura antiga." A gestora defende o fortalecimento de concessões, parcerias público-privadas e marcos regulatórios capazes de atrair capital privado para transporte, saneamento, energia e conectividade digital.
Para a Kinea, a agenda de reformas precisa seguir uma sequência lógica. No curto prazo, as prioridades passam pela implementação da reforma tributária, revisão dos gastos tributários e aceleração de concessões.
📈No longo prazo, o foco deve estar em educação, inovação e difusão tecnológica. "A produtividade brasileira precisa de uma travessia", conclui a gestora.