Fugir do Brasil? Consultoria aciona 'alerta vermelho' para investimentos no país

Em relatório de Max Malak e Arthur Budaghyan, a BCA Research cortou a indicação da bolsa brasileira de neutra para venda.

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Publicado em 14/08/2026 às 18:24h Publicado em 14/08/2026 às 18:24h por Matheus Silva
Apenas os CDBs brasileiros de 5 anos escaparam da recomendação (Imagem: Shutterstock)
Apenas os CDBs brasileiros de 5 anos escaparam da recomendação (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Brasil ganhou mais um detrator no cenário internacional. A BCA Research rebaixou sua recomendação para a bolsa brasileira de neutra para venda, em relatório assinado pelos analistas Max Malak e Arthur Budaghyan.
A única exceção positiva do documento foi os CDBs brasileiros de cinco anos, mantidos como operação de curto prazo.
Para os analistas, o Brasil vive um desequilíbrio estrutural, já que o consumo supera os investimentos, enquanto a oferta permanece estagnada. A resiliência aparente da economia, com desemprego em queda, é descrita como resultado direto da política fiscal.
"A generosidade fiscal agrava a sustentabilidade da dívida pública e alimenta a inflação", afirma o relatório. Os cortes de juros promovidos pelo Copom nas últimas quatro reuniões, que levaram a Selic de 15% para 14%, também são alvo de crítica. 
"Os cortes nas taxas de juros dos bancos centrais são motivados politicamente, cortando mesmo quando há restrições fiscais", diz o documento. O último IPCA, de julho de 2026, subiu 0,07% no mês e acumulou 4,44% em 12 meses.

Governo acelerou os gastos antes das eleições, diz a BCA

Para a consultoria, a saída para os problemas do Brasil seria uma combinação de reformas estruturais que aumentassem a produtividade com corte de gastos e flexibilização monetária. 
O caminho seguido pelo governo foi o oposto. "As reformas estruturais não foram implementadas e as taxas de juros permanecem elevadas. Consequentemente, o investimento de capital está estagnado", aponta o relatório.
Na avaliação da BCA, o governo aumentou os gastos antes das eleições com medidas que beneficiam consumidores em vez de estimular investimentos. "Essa generosidade fiscal, que está impulsionando o consumo, ocorre em um momento em que a dívida pública já se encontra em uma trajetória insustentável."
O diagnóstico da consultoria aponta para um caminho de deterioração, acreditando que a demanda superará a oferta, a inflação subirá e os rendimentos dos títulos locais acompanharão o movimento, piorando a dinâmica da dívida. 
"Um prêmio de risco mais elevado pressionará a moeda, reforçando a onda de vendas de títulos e ações."

BCA vê favoritismo de Lula e projeta "acerto de contas"

No cenário eleitoral, a BCA avalia que o favoritismo de Lula se fortaleceu e que o resultado confirmará a trajetória de deterioração fiscal. 
Para a consultoria, a reeleição trará "um acerto de contas aos mercados financeiros." Entre os fatores que sustentam a dianteira do presidente está a taxa de desemprego em 5,4%, próxima da mínima em 14 anos.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a BCA identifica uma série de obstáculos que erodiu uma vantagem inicial, como o  envolvimento no escândalo do Banco Master, após a divulgação de gravações em que o senador solicitava recursos; a briga pública com a madrasta Michelle Bolsonaro, que está custando apoio entre eleitores evangélicos e mulheres; e a interferência de Trump na corrida presidencial brasileira em favor de Bolsonaro, que estaria tendo o efeito contrário ao esperado, aumentando o apoio a Lula.
Para a BCA, o Centrão manterá influência sobre o orçamento independentemente do resultado das urnas. Em julho, o Senado, dominado por esse grupo político, aprovou um pacote estimado em até R$ 220 bilhões com benefícios fiscais direcionados a aposentadorias, salários e alívio da dívida, sem definir fonte de financiamento. 
📊 "O Centrão vai forçar a continuidade dos gastos fiscais", conclui o relatório.