Copom se reúne para decidir se corta os juros ou deixa a Selic em 14,50%

A possibilidade de um novo corte da Selic voltou a ganhar força após acordo entre EUA e Irã.

Author
Publicado em 16/06/2026 às 08:06h Publicado em 16/06/2026 às 08:06h por Marina Barbosa
Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne para definir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira nesta terça (16) e quarta-feira (17). E, desta vez, o mercado quase se divide sobre qual a decisão.
✂️ A expectativa da maior parte dos analistas é de que o Copom faça um novo corte de 0,25 ponto percentual dos juros, levando a Selic dos atuais 14,50% para 14,25%.
Porém, nem todos estão convencidos dessa hipótese. Por isso, a possibilidade de que o Copom interrompa o ciclo de corte de juros e mantenha a Selic nos atuais 14,50% não foi totalmente descartada por alguns investidores.
O mercado elevou as projeções para a Selic e chegou a apostar na manutenção dos juros nas últimas semanas, devido à piora do quadro inflacionário, aos sinais de reaquecimento da atividade econômica brasileira e às incertezas do cenário externo.
Porém, o acordo de paz firmado entre Estados Unidos e Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz derrubou os preços do petróleo e trouxe alívio para a curva de juros, fazendo com que a possibilidade de que a Selic caia para 14,25% voltasse a ganhar força.

Corte de 0,25 p.p. ganha força

📊 A XP diz que a manutenção dos juros não pode ser descartada, já que as projeções de inflação ficaram ainda mais distantes da meta no horizonte relevante. Porém, acredita que o Copom vai cortar a Selic em 0,25 ponto percentual mais uma vez.
"Como os membros do Copom praticamente não alteraram a comunicação oficial desde a última reunião e as condições de mercado melhoraram nos últimos dias, acreditamos que uma interrupção no ciclo de cortes de juros nesta semana é pouco provável", afirmou.
Na avaliação da XP, o Copom entende que os juros ainda estão excessivamente elevados e, portanto, podem ser reduzidos, especialmente à luz da recente queda dos preços do petróleo.
Ainda assim, a expectativa é de que o novo corte da Selic seja acompanhado por um tom mais duro do Copom, deixando em aberto os próximos movimentos dos juros.
"Diante da piora do balanço de riscos, o Comitê deve ajustar a comunicação, reconhecendo o aumento da incerteza e reduzindo o comprometimento com os passos futuros da política monetária", disse o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles.
"Não me parece um ambiente em que o BC queira se comprometer com um ciclo pré-definido. A mensagem tende a ser: Há espaço para algum ajuste, mas esse espaço será condicionado aos dados, sobretudo inflação, expectativas, mercado de trabalho, câmbio e fiscal", reforçou o CIO da 18ib Capital, Aloísio Teles.

Será o último corte da Selic?

💲 De acordo com o Boletim Focus, o mercado acredita que a taxa básica de juros terminará o ano em 13,75%. Porém, algumas casas dizem que essa projeção ainda é otimista demais.
A XP, por exemplo, projeta uma Selic de 14,00% para 2026 e não descarta a possibilidade de que os juros fiquem em 14,25%. Ou seja, de que o corte de juros desta semana seja o último deste ano.
Em relatório, a casa explicou que os preços do petróleo continuam altos, apesar do recuo dos últimos dias. E lembrou que ainda há outros riscos para a inflação, como o aumento dos insumos para tecnologia e o El Niño, que pode afetar a produção de alimentos no segundo semestre.
Diante desse cenário, o BTG Pactual já trabalha com a possibilidade de que a Selic só cairá mais uma vez, ficando em 14,25% até o final de 2026.