Copom se reúne para decidir se corta novamente a Selic, apesar da guerra

Expectativa do mercado é de que os juros caiam para 14,50% nesta quarta-feira (29).

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Publicado em 28/04/2026 às 05:57h Publicado em 28/04/2026 às 05:57h por Marina Barbosa
Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)
Copom é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (Imagem: Shutterstock)

O Copom (Comitê de Política Monetária) se reúne para decidir o rumo da taxa básica de juros da economia brasileira nesta terça (28) e quarta-feira (29).

💲 A expectativa do mercado é de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic, que levaria a taxa dos atuais 14,75% para 14,50% ao ano -o menor patamar em quase 12 meses.

O corte é esperado mesmo diante da pressão inflacionária trazida pela guerra no Oriente Médio e dos dados mistos de atividade econômica registrados nas últimas semanas.

O cenário econômico

As perspectivas para a inflação pioraram desde a última reunião do Copom, já que a cotação do petróleo disparou diante do conflito no Oriente Médio e os preços dos alimentos voltaram a subir no Brasil. 

Com isso, o mercado já vê a inflação deste ano superando o teto da meta perseguida pelo BC (Banco Central), que é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.

Além disso, a atividade econômica brasileira deu sinais de retomada, com a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) subindo subiu 0,6% em fevereiro.

Por outro lado, a criação de empregos formais ficou abaixo do esperado pelo mercado em fevereiro, o que pode indicar o início de uma desaceleração do mercado de trabalho.

Já o dólar perdeu força, diante da valorização das commodities e da forte entrada de capital estrangeiro no Brasil, o que ajuda a tirar pressão da inflação.

As projeções do mercado

Diante desse cenário, a XP avalia que o Copom deve cortar a Selic para 14,50% nesta quarta-feira (29), sustentando que a evolução do cenário econômico é compatível com níveis de juros nominais mais baixos. Porém, espera um tom mais duro do comitê.

"Esperamos que o comunicado desta semana seja mais duro (hawkish) do que o anterior, reforçando a necessidade de uma condução cautelosa da política monetária para mitigar efeitos de médio prazo decorrentes dos choques inflacionários", afirmou. 

A XP acredita, no entanto, que o tom não será suficientemente duro a ponto de sinalizar uma possível interrupção do ciclo de calibração dos juros na próxima reunião de política monetária. Por isso, espera um novo corte de juros em junho.

O Santander também vê a Selic caindo mais 0,25 ponto percentual nesta semana, por entender que seria difícil justificar uma pausa ou uma aceleração do corte de juros diante da recente volatilidade dos preços do petróleo.

O banco, porém, acredita que o Copom não deve dar nenhuma sinalização sobre o que esperar da reunião de junho, para preservar a sua flexibilidade diante desse cenário de incertezas.

Ou seja, para deixar o espaço para aberto para todos os cenários -seja um novo corte de 0,25 ponto percentual, uma redução mais profunda dos juros ou até uma pausa do ciclo de cortes da Selic.

Já o Itaú BBA acredita que o comitê deve enfatizar serenidade e cautela na condução da política monetária adicionando que os passos futuros do processo de calibração seguirão guiados pela evolução dos dados e pela avaliação contínua do balanço de riscos, o que inclui os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

Até onde vai a Selic?

As incertezas trazidas pelo conflito têm feito os economistas revisarem constantemente suas projeções para a inflação e os juros.

De acordo com o Boletim Focus, antes da guerra, o mercado esperava que a Selic caísse para 12% até o final do ano. Agora, no entanto, essa projeção já está em 13%. Afinal, a expectativa de inflação disparou de 3,91% para 4,86% durante o conflto.

Na dúvida do que vem pela frente, o foco dos analistas estará não apenas na decisão de juros, mas no tom e nas sinalizações futuras que podem ser apresentadas pelo Copom nesta quarta-feira (29), após o fechamento do mercado.