Quando falamos de investimentos em
renda fixa, é comum darmos prioridade apenas à taxa de rentabilidade oferecida ou se o título possui
liquidez diária. Todavia, poucos se preocupam com o risco do reinvestimento e sequer podem estar atentos à janela de oportunidades aberta em 2026.
Desmistificando o assunto, o estrategista-chefe no BTG Pactual, Álvaro Frasson, explica que o risco do reinvestimento para quem aloca dinheiro na renda fixa se materializa na impossibilidade de reinvestir o dinheiro em condições iguais ou melhores do que as atuais.
"Por exemplo, quando você adquire um título de renda fixa que paga IPCA+ 7,50% ao ano e, no vencimento, o mercado paga apenas IPCA+ 5,00% ao ano em um investimento similar, não é uma tarefa trivial conseguir manter os ganhos nos níveis anteriores", comenta o especialista.
Logo, se o investidor de renda fixa quiser manter as taxas mais elevadas diante de uma mudança na curva futura de juros, será inevitável sair da zona de conforto, tendo provavelmente de se aventurar fora do
Tesouro Direto e/ou alongar o prazo de vencimento dos títulos.
Daí o investidor mais atento já começa a sacar aonde o BTG Pactual quer chegar, ao levarmos em conta que tanto o Tesouro Direto quanto o mercado de crédito privado oferecem taxas de remuneração historicamente elevadas.
Uma estratégia inteligente pode justamente fazer com que o investidor consiga não só driblar esse risco do desinvestimento como ainda aproveite, por exemplo, o juro real histórico no Tesouro Direto na faixa de IPCA+ 8,50% ao ano ou mesmo os
ganhos de até IPCA+ 14% ao ano em CRAs e CRIs.
Como se posicionar na renda fixa em 2026?
Para Frasson, o Brasil apresenta um cenário arriscado no que diz respeito à capacidade de honrar as contas públicas no futuro, sendo por isso que o mercado exige juros compostos tão generosos, especialmente em vencimentos de médios e longos prazos.
Os juros reais ofertados por um
Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, estão próximos de IPCA+ 8,50%, atingindo os maiores juros reais registrados em mais de 17 anos (sendo comparados aos patamares vistos pela última vez no final de 2008) e bem acima do juro real neutro de 5% ao ano.
"Olhando o formato atual da curva de juros e o cenário econômico, pode parecer contraintuitivo vender um título mais curto antes do vencimento para comprar um papel mais longo. No entanto, a principal vantagem de fazer esse movimento agora é mitigar o risco de reinvestimento. Ou seja, ao se travar em uma taxa elevada, o investidor tem mais benefícios", pondera o especialista do BTG Pactual.
Portanto, ao preterir a venda antecipada de títulos de renda mais curtos por papéis com vencimento mais distantes (no período recomendado entre 4 e 7 anos), se conseguir garantir taxas acima da média histórica por mais tempo, além de oportunidades de ganhos exponenciais na marcação a mercado (quando as taxas caírem e o preço dos títulos se valorizarem).
Dentre as oportunidades mais rentáveis e arriscadas no crédito privado, o banco lista o retorno das
debêntures incentivadas emitidas pela Águas do Rio, sob código de negociação RISL14, cuja taxa indicativa atual é de IPCA+ 12,16% ao ano, retorno nominal equivalente a 19% ao ano, sem a proteção do
FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
"Ao se preferir
debêntures incentivadas e
CRAs/CRIs com ratings de crédito elevados de baixo risco, notamos amplo diferencial de retorno ante o Tesouro Direto em 2026. Uma vez que títulos do governo não são isentos de imposto de renda mínimo de 15%, existem oportunidades de crédito privado que exibam maior previsibilidade de fluxo de caixa e demanda inelástica", conclui Frasson.