Brasil e Argentina entraram em uma crise diplomática, depois que Javier Milei fez críticas a Lula (PT) e o governo brasileiro reagiu.
O presidente argentino foi convidado a discursar na convenção do PL (Partido Liberal) que oficializou a candidatura de
Flávio Bolsonaro (PL) à presidência da República no sábado (25).
Na ocasião, Milei fez críticas ao socialismo e a governos de esquerda como o de
Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Porém, observou que políticas liberais e governos de direita têm ganhado força na América Latina nos últimos anos e disse que o Brasil poderia seguir esse caminho com Flávio Bolsonaro.
🗣️ Milei ainda chamou Lula de "presidiário" e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de "lixo careca".
O argentino pretendia visitar Jair Bolsonaro (PL) na sua passagem pelo Brasil. A visita precisou ser solicitada pela defesa de Bolsonaro ao STF, já que o ex-presidente brasileiro está preso por tentativa de golpe de Estado. Porém, foi negada por Moraes.
O ministro proibiu Bolsonaro de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições, depois que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares e divulgou uma carta de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Milei, por sua vez, classificou a decisão de Moraes como uma "clara demonstração da injustiça" da prisão de Bolsonaro e "do caráter vingativo de seus responsáveis".
"A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández", afirmou.
A reação do governo brasileiro
As declarações do presidente argentino geraram fortes reações do governo brasileiro, começando por movimentos diplomáticos, passando por críticas pessoais e chegando a comparações econômicas.
🧾 O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou no domingo (26) o embaixador do Brasil na Argentina, Daniel Raimondi, para falar sobre o assunto.
Segundo o Itamaraty, o objetivo é "transmitir a repulsa do Governo brasileiro aos impropérios emitidos pelo Presidente Javier Milei durante a sua visita privada a São Paulo, em 25 de julho, e cobrar explicações sobre o comportamento do mandatário argentino em território brasileiro".
"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", disse o ministério, lembrando que o Brasil é o principal parceiro da Argentina.
O ministro das Relações Exteriores também chamou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre a relação entre os dois países.
No campo diplomático, esta é uma sinalização de desaprovação, descontentamento ou até repúdio. Porém, não representa a ruptura da relação entre os dois países.
⚠️ Ainda assim, a crise entre os dois países seguiu escalando nesta segunda-feira (27), pois ministros do governo Lula rebateram as críticas de Milei.
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou o presidente argentino como "uma caricatura patética, que envergonha o cargo que ocupa" e "um puxa-saco de Trump".
"Ninguém leva a sério Javier Milei. [...] Todos sabem que há quem use e aplauda os puxa-sacos, mas definitivamente não há quem os respeite", escreveu Boulos, nas redes sociais.
Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente argentino de "palhaço" e disse que a economia brasileira está melhor que a argentina.
"O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta", declarou o ministro da Fazenda", afirmou Durigan, em uma entrevista.