Agora o preço cai? Opep+ e Emirados Árabes prometem ampliar produção de petróleo

Opep+ elevou cota de produção e Adnoc anunciou investimentos bilionários neste domingo (3).

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Publicado em 03/05/2026 às 16:02h Publicado em 03/05/2026 às 16:02h por Marina Barbosa
Petróleo fechou acima dos US$ 100 o barril na sexta-feira (Imagem: Shutterstock)
Petróleo fechou acima dos US$ 100 o barril na sexta-feira (Imagem: Shutterstock)
A Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados) decidiu elevar novamente as suas metas de produção de petróleo.
A decisão foi anunciada neste domingo (3), pouco depois que os Emirados Árabes Unidos deixaram o grupo e confirmaram a intenção de também produzir mais petróleo.

O aumento da Opep+

📈 A Opep+ pretende produzir 188 mil barris diários de petróleo a mais a partir de junho de 2026.
O aumento busca "apoiar a estabilidade do mercado de petróleo". Porém, é menor que os ajustes anunciados nos dois primeiros meses da guerra no Oriente Médio.
A meta de produção da Opep+ foi elevada em 206 mil barris/dia em março e também abril. Mas, agora, terá um incremento menor, já que não conta mais com a colaboração dos Emirados Árabes Unidos.
O aumento previsto para junho será repartido entre sete países do grupo: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.

E dos Emirados Árabes 

🛢️ Com a quinta maior reserva do mundo, os Emirados Árabes Unidos figuravam entre os maiores produtores da Opep+, mas decidiram romper com o grupo no último dia 28 de abril.
De acordo com o ministro de energia de Abu Dabhi, Suhail Mohamed al-Mazrouei, esta foi uma "decisão política", alinhada à visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e ao desenvolvimento do seu setor energético.
Com isso, a Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, a Adnoc, decidiu investir US$ 55 bilhões para ampliar a sua capacidade de exploração, produção e refino de petróleo nos próximos dois anos.
O investimento também foi anunciado neste domingo (3), pouco antes da reunião da Opep+. E, de acordo com a Adnoc, marca o início de uma nova fase de execução de projetos.
O objetivo, segundo a empresa, é "impulsionar a capacidade de produção industrial dos Emirados Árabes Unidos, reforçar a resiliência industrial, e aprofundar o impacto dos planos da empresa para aumentar o investimento e a produção no país".

Impacto nos preços

De acordo com analistas, a decisão dos Emirados Árabes Unidos mostra que o país não deve mais restringir a sua produção de petróleo às metas estipuladas pela Opep+, o que pode ampliar a oferta e reduzir os preços da commodity.
💲 Qualquer impacto nos preços, no entanto, não é esperada no curto prazo. Afinal, os investimentos da Adnoc devem levar dois anos e o aumento previsto para junho pela Opep+ pode nem sair do papel. 
Analistas explicam que muitos dos países da Opep+ enfrentam dificuldades para escoar a produção no momento, já que o Estreito de Ormuz segue bloqueado, em virtude da guerra no Oriente Médio.
Logo, a avaliação é de que os anúncios deste domingo (3) terão mais efeitos quando a situação se normalizar no Oriente Médio. Enquanto isso, a expectativa é de que os preços do petróleo sigam flutuando de acordo com os desdobramentos da guerra.
Na sexta-feira (1), os preços caíram mais de 3%, depois que o Irã disse ter enviado uma nova proposta de paz para os Estados Unidos. Ainda assim, o barril segue cotado acima dos US$ 100.