1ª deflação do ano: IPCA cai 0,32% em agosto e reforça aposta de corte da Selic

O resultado reflete um alívio nos preços da energia, dos combustíveis e dos alimentos.

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Publicado em 11/09/2026 às 10:11h Publicado em 11/09/2026 às 10:11h por Marina Barbosa
O resultado do IPCA ficou abaixo do esperado pelo mercado (Imagem: Shutterstock)
O resultado do IPCA ficou abaixo do esperado pelo mercado (Imagem: Shutterstock)
A inflação oficial brasileira recuou 0,32% em agosto de 2026, refletindo um alívio nos preços da energia, dos combustíveis e dos alimentos.
📉 Esta foi a primeira deflação do ano, além da maior deflação registrada no país nos últimos quatro anos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) ainda ficou abaixo do esperado pelo mercado, que projetava um recuo de 0,29% dos preços em agosto. 
Com isso, a inflação passou a acumular uma alta de 3,11% no ano e de 4,22% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,44% dos 12 meses imediatamente anteriores.

Impacto na Selic

A deflação de agosto reforçou a aposta do mercado financeiro em um novo corte da Selic, ao atestar o processo de desaceleração da inflação. 
🏦 A expectativa é de que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a taxa básica de juros dos atuais 14,00% para 13,75% na próxima quarta-feira (16).
O corte é esperado devido à desaceleração da inflação, mas também à perda de ímpeto da economia brasileira em meio aos juros elevados.
"Diante dos sinais adicionais de desaceleração da atividade econômica mais cedo do que o esperado e das leituras benignas de inflação nos últimos meses, esperamos que o Copom realize um novo corte de 0,25 p.p. na reunião da próxima semana", afirmou a economista da XP, Basiliki Litvac.

O que afetou a inflação?

De acordo com o IBGE, o Brasil voltou a ter deflação porque os preços da energia elétrica, dos combustíveis e dos alimentos ficaram menores em agosto.
💡 O maior impacto veio dos gastos com energia elétrica, pois a incorporação do Bônus de Itaipu derrubou em 7,63% a tarifa da conta de luz e fez a inflação da habitação afundar 1,87%, o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real.
Os combustíveis e os alimentos também exerceram menos pressão sobre o orçamento dos brasileiros em agosto, ao registrarem quedas de preços de 0,91% e 0,34%, respectivamente.
No caso dos combustíveis, etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%) ficaram mais baratos, enquanto o gás veicular subiu 2,62%.
🍅 Já entre os alimentos, a queda foi puxada pela alimentação no domicílio (-0,61%), especialmente por produtos como batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%), ovo de galinha (-4,15%) e café moído (-1,86%). 
O economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, Marcelo Bassani, ainda aponta uma influência da Selic na deflação de agosto, já que os juros altos tendem a reduzir a demanda por bens e produtos.
Ele diz, então, que o resultado "abre caminho para a decisão de mais um corte na taxa de juros na próxima reunião do Copom.
Por outro lado, as despesas pessoais subiram 1,30%, devido ao reajuste de 19,59% do preço do cigarro, impedindo um recuo maior do IPCA.

Veja como os grupos da inflação se comportaram em agosto de 2026:

  • Despesas pessoais: 1,30%;
  • Artigos de residência: 0,64%;
  • Educação: 0,47%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
  • Vestuário: 0,12%;
  • Comunicação: -0,09%;
  • Alimentação e bebidas: -0,34%;
  • Transportes: -0,86%;
  • Habitação: -1,87%.