Vitória de Lula repercute no mundo; veja o que dizem os principais jornais

Imprensa internacional destaca a eleição brasileira, a trajetória do presidente e os desafios políticos do novo mandato.

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Publicado em 26/10/2026 às 07:36h Publicado em 26/10/2026 às 07:36h por Wesley Santana
Aos 80 anos, Lula foi eleito para seu quarto mandato presidencial (Imagem: Shutterstock)
Aos 80 anos, Lula foi eleito para seu quarto mandato presidencial (Imagem: Shutterstock)

O presidente Lula (PT) fez história neste domingo (25) ao vencer sua quarta eleição. Revertendo o resultado do primeiro turno, ele terminou o pleito com 51,79%, somando 64,2 milhões de votos, conforme informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Além de líderes de vários países que já parabenizaram o petista, a imprensa internacional repercute a notícia. Muitos veículos trazem a imagem de Lula na capa desta segunda (26).

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Nos Estados Unidos, a CNN disse que a vitória de Lula contraria a mudança política que ocorre na América Latina. O veículo também lembrou que essa é a primeira vez que um presidente consegue virar o resultado entre o primeiro e o segundo turno desde a redemocratização.

"O resultado da eleição terá repercussões além do Brasil, mantendo o maior país da América Latina em um caminho de política externa mais independente sob Lula, que enfatizou a soberania do Brasil e laços mais estreitos com o Sul Global e a China em meio a tensões com a administração dos EUA”, diz a reportagem.

Na Europa, o El País classifica o resultado como um “capítulo épico em uma trajetória lendária”. O jornal espanhol lembra, porém, que o país está polarizado e que o presidente terá um grande desafio para governar diante do crescimento da oposição no Congresso Nacional.

"O líder do PT promete continuar a tarefa de reconstrução nacional que empreendeu, com Alckmin como número dois, para derrotar em 2022 Bolsonaro pai, condenado por tentar dar um golpe de Estado. O presidente apresentou esta campanha como uma batalha em defesa da democracia e contra os Bolsonaros, contra o obscurantismo, as políticas excludentes e os perigos que para metade dos brasileiros representa o clã”, comenta.

Na Oceania, o The Sydney Morning Herald destacou a trajetória da campanha de Lula, que foi marcada por preocupações sobre a inflação e a segurança pública. O diário australiano também lembra que Lula e seu opositor, Flávio Bolsonaro, tiveram alguém de seu entorno envolvido em suspeitas de corrupção.

"Ambos foram atingidos por suspeitas de corrupção envolvendo familiares e aliados, com Bolsonaro implicado em um escândalo em expansão do Brasil. Lula já passou mais de um ano na prisão por condenações por corrupção que acabaram sendo anuladas”, escreve.

Já na África, a rede de TV Al Jazeera lembrou que, até o último momento, os resultados estavam incertos. Também destacou a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de estender o horário de votação em todo o país depois de pedidos das duas campanhas.

"Bolsonaro surpreendeu muitos observadores ao vencer o titular na primeira rodada de votação em 4 de outubro, ganhando 47,03 por cento dos votos contra 45,16 por cento de Lula. A diferença foi de 2,2 milhões de votos. Mas Lula passou as próximas três semanas tentando trazer de volta os eleitores que ficaram em casa no primeiro turno, enquanto fazia um discurso renovado para aqueles preocupados com o custo de vida e o futuro de seus programas sociais de assinatura”, disse.

América Latina também repercute

A vitória de Lula também é a notícia do dia nos jornais de todos os países vizinhos ao Brasil. Muitas dessas nações trocaram de presidente nos últimos meses, elegendo candidatos de direita e extrema-direita, o que contraria a tendência que era de esquerda na região.

Na Argentina, o Clarín ressaltou a queda no número de votos brancos e nulos, que explicaria a virada de Lula. Além disso, lembrou que a campanha nas redes sociais foi fundamental para o resultado.

"O canal no WhatsApp ‘O Exército de Lula’, que o rival Bolsonaro buscou que a Justiça censurasse, conseguiu mais de 11 milhões de visitantes, ante os 60 mil iniciais na corrida do segundo turno, após a derrota no primeiro turno”, frisou.

Já na Colômbia, o El Tiempo ressaltou a trajetória de Lula, que, prestes a completar 81 anos, conquista sua quarta vitória.

"O balanço favorece o líder sindical histórico: 4 vitórias contra 3 derrotas. Com 12 anos acumulados na presidência e um novo triunfo que prolonga sua influência, Lula reafirma seu lugar como uma das principais referências da esquerda latino-americana e protagonista da chamada onda rosa no continente, em um momento em que o avanço da direita redefine o panorama político regional”, finaliza.