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Casas Bahia (BHIA3) decidiu trazer para o comando de sua reestruturação financeira uma executiva com histórico em alguns dos maiores processos de recuperação do país.
A varejista anunciou nesta quinta-feira (23) a chegada de Camille Faria, sócia da Althia Partners e ex-CFO da
Americanas (AMER3), para liderar a nova fase do processo.
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O anúncio ocorre depois de a Justiça de São Paulo deferir o processamento do pedido de
recuperação judicial do grupo. Faria assume a responsabilidade de conduzir as negociações com credores e tocar o plano de reestruturação em conjunto com a administração da companhia.
Currículo inclui Americanas e Oi
A escolha tem um simbolismo evidente. Camille Faria liderou a recuperação judicial da Americanas, processo recentemente encerrado pela varejista, e antes disso atuou na Oi, companhia que hoje enfrenta falência.
Em outras palavras, a Casas Bahia foi buscar alguém que já esteve na linha de frente das duas maiores crises corporativas recentes do país.
Ela chega em substituição a Mateus Tessler, ex-sócio da Jive Mauá, que vinha conduzindo essa frente. Segundo a companhia, a mudança foi acertada entre as partes.
"A transição foi conduzida de forma consensual e alinhada com a companhia, e Mateus seguirá contribuindo pontualmente com o processo. A Alvarez & Marsal também permanece no processo, apoiando a estruturação e a modelagem do plano de recuperação", informou a varejista em comunicado.
A Casas Bahia reforçou ainda que a troca não altera sua estratégia de reestruturação financeira, e que a decisão conta com apoio e alinhamento do Conselho de Administração e da Mapa Capital, sua acionista controladora.
Justiça autorizou o processo, mas cobrou documentos pendentes
O caminho judicial da varejista avançou nesta semana. Em decisão publicada na quarta-feira (21), a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira aceitou dar prosseguimento ao pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, após analisar os requisitos legais e a documentação apresentada.
A autorização, porém, veio acompanhada de ressalvas. A Justiça identificou pendências, como a ausência de demonstrações de fluxo de caixa de 2023 para quatro empresas do grupo e a apresentação de projeções financeiras apenas em formato consolidado.
Por isso, o processo pode avançar, mas a companhia precisa complementar os documentos, sob pena de revogação da decisão que autorizou o processamento da recuperação.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões antecedeu o pedido
A entrada na recuperação judicial foi aprovada pelo conselho de administração da companhia em meados de agosto, diante da deterioração das condições econômico-financeiras do negócio.
A varejista atribuiu a situação a um ambiente macroeconômico adverso, marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
💰 O pedido veio logo após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, quando a companhia reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no período.