A UE (União Europeia) vai suspender, a partir de quinta-feira (4), as importações de carne bovina e de aves produzidas no Brasil. A decisão foi anunciada pela Comissão Europeia e está relacionada à falta de garantias consideradas suficientes pelo bloco sobre o cumprimento das normas sanitárias europeias, especialmente as regras que tratam do uso de antibióticos na pecuária.
Além das carnes, que podem impactar frigoríficos como
JBS (JBSS32),
Minerva (BEEF3) e
Marfrig (MBRF3), a medida também atinge ovos e mel brasileiros. Bruxelas, no entanto, ainda não estabeleceu uma data para a retomada das importações. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil precisa demonstrar que seus produtos estão de acordo com as exigências do bloco.
Uma porta-voz do Executivo europeu afirmou que o país é um parceiro importante e que as autoridades europeias estão trabalhando com o governo brasileiro para solucionar a questão. Com a comprovação da conformidade, as exportações poderão ser novamente autorizadas.
Para o setor de aves e para o mel, uma auditoria está em andamento e tem previsão de conclusão na sexta-feira. Caso o resultado seja favorável e os países europeus aprovarem a retomada, as exportações de carne de aves brasileiras para a União Europeia podem ser liberadas novamente nas próximas semanas.
Já para a carne bovina, o processo pode levar mais tempo. A Comissão Europeia explicou que os prazos dependem dos ciclos de produção de cada espécie e, consequentemente, o período necessário para que o Brasil consiga certificar o cumprimento das exigências varia entre os diferentes setores.
Por que a UE restringe o uso de antibióticos?
As regras proíbem a utilização de antimicrobianos na criação de animais com o objetivo de estimular o crescimento ou elevar a produtividade. Também não é permitido tratar os animais com antimicrobianos reservados para o combate a infecções em seres humanos.