Trump acusa Irã de violar cessar-fogo e faz nova ameaça: ‘chega de ser bonzinho’

Presidente dos EUA cita ataques à infraestrutura e eleva tensão; especialistas veem Ormuz como nova arma geopolítica

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Publicado em 19/04/2026 às 12:21h Publicado em 19/04/2026 às 12:21h por Wesley Santana
Estreito de Ormuz conecta economias árabes e persas com o Oceano Índico (Imagem: Shutterstock)
Estreito de Ormuz conecta economias árabes e persas com o Oceano Índico (Imagem: Shutterstock)

Em post nas redes sociais, o presidente Donald Trump acusou o Irã de furar o acordo de cessar-fogo costurado nesta semana. O chefe da Casa Branca ainda ameaçou o país dizendo que está na hora de parar de “ser bonzinho”.

“Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão derrubar cada usina de energia e cada ponte no Irã. CHEGA DE SER BONZINHO! Elas cairão rápido, cairão fácil e, se não aceitarem o acordo, será uma honra fazer o que precisa ser feito, o que deveria ter sido feito ao Irã, por outros presidentes, nos últimos 47 anos. É HORA DE ACABAR COM A MÁQUINA DE MATAR DO IRÃ!”, disse na rede Truth Social.

A fala do chefe da Casa Branca vem depois que a Guarda Revolucionária informou, no sábado (18), que estava fechando novamente o Estreito de Ormuz, um dos principais alvos do cessar-fogo. A decisão aconteceu porque os EUA não teriam cumprido o acordo e mantiveram o bloqueio naval na região, conforme nota emitida pelo governo local.

“O controle do Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior… sob a gestão e o controle rigorosos das forças armadas”, informou a Guarda Revolucionária. A nota destaca que o fechamento será mantido até que os EUA mantenham seus militares na via marítima.

O controle de Ormuz se tornou uma das principais cartas na manga do Irã por ocasião da guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o país persa. Desde o mês passado, os militares de Teerã têm aberto e fechado a via marítima, que é responsável por grande parte do petróleo que trafega pelo mundo.

Desta forma, de forma quase imediata, a cada decisão tomada em relação ao local, movimenta-se o preço do petróleo no mercado internacional. Nesta semana, com a conclusão de um acordo de cessar-fogo, o barril voltou a ser negociado na faixa de US$ 80, depois de muitas semanas acima dos US$ 100.

Trump, porém, argumenta que o fechamento do Estreito só prejudica a própria economia do Irã, que perde cerca de US$ 500 milhões por dia com o bloqueio da passagem. No entanto, isso mexe diretamente com todos os serviços e produtos oriundos do petróleo ao redor do mundo, o que, na prática, aumenta a inflação dos preços, que é um dos maiores problemas da gestão Trump 2.

Para muitos especialistas, o controle do Estreito se tornou uma verdadeira arma para o Irã, que antes tinha como principal ameaça as armas nucleares. Eles argumentam que, a partir de agora, sempre que houver conflito, fechar o estreito será uma das primeiras medidas.

“Não está claro como a trégua entre Washington e Teerã vai se desenrolar. Mas uma coisa é certa: o Irã testou suas armas nucleares. Elas se chamam Estreito de Ormuz. Seu potencial é inesgotável”, escreveu Dmitri Medvedev, ex-presidente da Rússia e vice-presidente do Conselho de Segurança do país.