Tesouro Direto rodopia em outubro, seguindo recordes da renda fixa em dólar

Com as taxas dos títulos do governo americano em recordes de décadas, os juros compostos voltam a subir no Brasil.

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Publicado em 01/10/2026 às 19:32h - Atualizado em 01/10/2026 às 19:33h Publicado em 01/10/2026 às 19:32h Atualizado em 01/10/2026 às 19:33h por Lucas Simões
Taxas longas voltam a reclamar o patamar psicológico de IPCA+ 7% ao ano (Imagem: Shutterstock)
Taxas longas voltam a reclamar o patamar psicológico de IPCA+ 7% ao ano (Imagem: Shutterstock)
Se em setembro de 2026 o Tesouro Direto aproveitou o forte recuo dos juros compostos para entregar lucros de 8% ao mês na marcação a mercado, dessa vez, as taxas voltaram a subir com ímpeto em outubro de 2026, com a renda fixa brasileira de olho na volatilidade dos títulos do governo dos Estados Unidos (treasury bonds).
Para se ter uma ideia, o Tesouro Renda+ 2065 viu a sua remuneração saltar de uma mínima de IPCA+ 6,82% ao ano no último dia 30 de setembro para o nível de IPCA+ 6,88% ao ano nesta quinta-feira (1º). Em compensação, seu preço unitário caiu de R$ 215,35 para R$ 209,99 só nas últimas 24 horas.
Outro exemplo que reforça a reviravolta das taxas está presente no Tesouro IPCA+ 2050, cujo rendimento subiu de IPCA+ 7% ao ano para IPCA+ 7,05% ao ano nesta virada de mês, ao passo que o seu preço unitário cedeu de R$ 953,59 para R$ 943,57 na marcação a mercado. 
Para além da volatilidade das Eleições 2026 aqui no Brasil, em que os investidores monitoram como as contas públicas serão tratadas no próximo mandato, o Tesouro Direto passou a repercutir muito mais nesta virada de mês o estresse vivido pela renda fixa em dólar.
Neste dia 1º de outubro de 2026, os treasury bonds com vencimento em 30 anos alcançaram rendimento de 5,59% ao ano, o maior nível desde 2002. Tais títulos de dívida pública americana servem de referência para hipotecas de prazo estendido e evidenciam o quanto o custo de capital no mundo encareceu. 
Logo, os investidores aqui no Brasil também estão à mercê dos impactos causados por taxas tão atrativas na renda fixa americana, que coincidentemente observa uma forte pressão vendedora dos títulos de dívida. O próprio rodopio das taxas praticadas no Tesouro Direto é uma das consequências diretas. 
E, para quem ainda duvida da gravidade da situação, o banco americano Citi publicou um relatório inteiro apenas sobre o tema, citando que a disparada recente dos rendimentos da renda fixa de longo prazo nos EUA pode atingir o Brasil com mais força do que outros mercados latino-americanos, podendo acarretar que a taxa Selic suba dos atuais 13,75% ao ano para até 15,50% ao ano.

Veja o retorno dos títulos do Tesouro Direto em 1º de outubro de 2026:

Títulos com liquidez diária

  • Tesouro Selic 2031 = Aporte mínimo de R$ 199,33 (Rentabilidade: Selic + 0,0843% ao ano)

Títulos pré-fixados

Títulos indexados à inflação

Títulos para aposentadoria extra

Títulos para custear estudos