Após salto das ações, CVM determina OPA na Ambipar (AMBP3)
A gestora Trustee terá que lançar uma oferta pelas ações que estão em circulação no mercado.
As small caps, ações de empresas com menor capitalização de mercado, têm sido especialmente afetadas pela alta dos juros e pelas incertezas que pesam sobre a bolsa brasileira. Prova disso é que apenas 21% das ações que compõem o índice de Índice Small Caps da B3 apresenta uma rentabilidade positiva neste ano.
📉 Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, o Índice Small Caps da B3 acumula um baque de 18,80% em 2024, até o fechamento dessa terça-feira (10). Isto é, um tombo bem maior do que o do Ibovespa, que recuou 4% nesse período. E parte dessa queda explica-se pelo fato de que apenas 25 das 117 ações que compõem o índice acumulam ganhos no ano.
Responsável pela mesa de renda variável da Convexa, Joao Vitor Saccardo explicou que as small caps tendem a sofrer mais com o aumento das taxas de juros. Afinal, a maioria dessas empresas está em busca de crescimento e, por isso, tem uma dívida um pouco maior. Logo, acaba tendo que pagar mais juros e pode rever os planos de expansão em ciclos de alta da Selic como o atual.
💲 "A alta dos juros afeta o valuation e também pode afetar o crescimento dessas empresas, porque essas companhias podem optar por manter caixa ao invés de expandir, para preservar a margem", explicou Saccardo, citando como exemplo a Magazine Luiza (MGLU3), que já sofreu uma desvalorização de 59% neste ano.
Além disso, as small caps costumam ser mais afetadas pela redução do fluxo de investimentos para a bolsa brasileira, como vem acontecendo atualmente devido ao aumento das incertezas econômicas e fiscais.
"Temos visto uma saída do investidor estrangeiro da bolsa. Por isso, temos uma liquidez menor e os investidores acabando olhando mais para as empresas maiores e menos para as small caps. Isso acaba, então, impactando o preço desses papeis", explicou Saccardo.
📈 Apesar desse momento desafiador, 25 das 117 ações que compõem o índice de Índice Small Caps da B3 estão entregando um retorno positivo para os seus investidores neste ano, pelo menos até essa terça-feira (10), segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria.
Entre elas, ações de empresas que vêm passando por momentos de reestruturação e desalavancagem, como a CBA (CBAV3); empresas exportadoras, que ganham com a alta do dólar, como a Marfrig (MRFG3); e empresas de setores defensivos, como o de água e saneamento, a exemplo da Copasa (CSMG3).
"São casos específicos e ações de empresas de setores que podem se beneficiar desse momento de juros, inflação e dólar altos ou não são tão ligados aos juros, como siderurgia, agricultura, água e saneamento", comentou Saccardo, destacando a baixa presença de varejistas na lista das small caps que estão ganhando no ano.
O destaque positivo é da Ambipar (AMBP3), que disparou 750% no acumulado deste ano, em meio à reestruturação da empresa, mas também de rumores sobre um short squeeze, movimento anormal do mercado que impulsiona os preços de um ativo.
ClearSale (CLSA3) e Marfrig também já subiram mais de 100% em 2024. Afinal, a ClearSale foi impulsionada pela combinação de negócios com a Serasa, acertada em 4 de outubro. Já a Marfrig voltou a lucrar, em meio à recuperação dos preços das carnes e da alta do dólar.
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