Renda fixa isenta, pagando acima de 1% ao mês, atrai investidores em 2026, diz Anbima

A negociação de debêntures incentivadas nas prateleiras das corretoras de valores segue em alta.

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Publicado em 29/09/2026 às 16:57h Publicado em 29/09/2026 às 16:57h por Lucas Simões
Eleições 2026 reduzem ofertas primárias de debêntures, mas apetite existe (Imagem: Shutterstock)
Eleições 2026 reduzem ofertas primárias de debêntures, mas apetite existe (Imagem: Shutterstock)
O apetite dos investidores por negociar debêntures incentivadas no chamado mercado secundário de renda fixa, o espaço intermediado pelas corretoras de valores, segue aquecido em 2026, inclusive com rentabilidade superior ao cobiçado 1% ao mês, conforme o mais recente boletim divulgado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Totalmente isentos da cobrança de imposto de renda, tais títulos de crédito privado permitem que investidores emprestem dinheiro diretamente a empresas envolvidas em projetos de infraestrutura estratégicos ao Brasil.
Só em agosto, as negociações de debêntures incentivadas nas prateleiras das corretoras de valores movimentaram R$ 28,3 bilhões. No acumulado do ano, as negociações alcançaram R$ 276 bilhões, crescimento de +22,3% em relação ao mesmo período de 2025. 
Em termos de rentabilidade, o índice de referência IDA-IPCA Infraestrutura, que reúne carteira de debêntures incentivadas indexadas à inflação, teve valorização de 1,26% ao mês em agosto. 
Contudo, as novas emissões de crédito privado isento captaram R$ 170 bilhões no mês passado, o menor volume mensal desde janeiro de 2019, apontam os dados da Anbima. Na comparação anual, as emissões recuaram 25,2%. Foram R$ 72,8 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, ante R$ 97,3 bilhões no mesmo período do ano passado. O ganho foi ligeiramente superior ao entregue pelo Tesouro Selic 2031, que pagou 1,17% ao mês. 
“O resultado de agosto reforçou uma desaceleração das emissões de debêntures incentivadas observada ao longo de 2026. Tudo indica um movimento pontual por conta das incertezas trazidas com a proximidade das eleições. Ainda assim, o mercado secundário segue bastante aquecido, com volumes de negociação que mostram o interesse dos investidores por esses ativos e sua relevância para o financiamento de projetos de infraestrutura,” comenta Erika Lacreta, gerente executiva de mercado de capitais da Anbima.
A trajetória mensal das empresas em busca de dinheiro mediante debêntures incentivadas perdeu ritmo após as captações mais elevadas do início do ano, especialmente em março, quando o volume chegou a R$ 21,5 bilhões.