Renda fixa em dólar? Saiba por que a maior gestora do mundo recomenda Treasury bonds em 2026

Depois de seis anos, os gestores da BlackRock voltam a colocar títulos do governo americano na carteira.

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Publicado em 13/10/2026 às 15:52h - Atualizado em 13/10/2026 às 18:12h Publicado em 13/10/2026 às 15:52h Atualizado em 13/10/2026 às 18:12h por Lucas Simões
Juros compostos de longo prazo nos EUA estão acima de 5% ao ano, nível historicamente alto (Imagem: Shutterstock)
Juros compostos de longo prazo nos EUA estão acima de 5% ao ano, nível historicamente alto (Imagem: Shutterstock)
Que o Brasil é a terra da renda fixa ninguém questiona, mas a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, está de olho mesmo é na oportunidade geracional de se investir nos títulos do governo dos Esdtados Unidos, cujos juros compostos de longo prazo estão bem acima de 5% ao ano, patamar histórico elevadíssimo para os padrões na terra do Tio Sam.
Ainda que os rendimentos dos títulos públicos americanos, mais conhecidos como treasury bonds, apresentassem leve recuo nesta terça-feira, à medida que o mercado se debruça na leitura de dados econômicos que indicavam estabilização dos preços energéticos nos EUA, o treasury bond com vencimento em 30 anos, que ancora hipotecas e dívidas de longo prazo, oferecia 5,57% ao ano, seu maior nível desde 2002.
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Tamanho retorno fez a BlackRock sua estratégia de venda em renda fixa em dólar adotada nos últimos seis anos. Só que a preferencia dos gestores, por ora, segue concentra nos treasury bonds com vencimento no curto, enquanto os títulos do governo americano com vencimento no longo prazo (que são os mais ariscados) tiveram sua recomendação de venda elevada para neutra.
Se em 2020, a maior gestora de recursos rejeitava o treasury bond com vencimento em 10 anos, que pagava apenas 0,90% ao ano, agora em outubro de 2026, o mesmo título público americano remunera 5,22% ao ano, entrando no radar dos endinheirados.
“Agora, os rendimentos se ajustaram em direção à nossa visão de longa data de juros mais altos, e queremos garantir uma renda atrativa”, escreveram os estrategistas Jean Boivin e Wei Li, além do, CIO de renda fixa global da BlackRock, Rick Rieder, em relatório publicado nesta terça-feira (13).
Na visão dos especialistas, as expectativas atuais do mercado para altas de juros americanos pelo Federal Reserve foram longe demais. Isso torna a renda fixa em dólar de curto prazo especialmente atrativos caso essas apostas sejam reduzidas. Os swaps de taxa de juros mostram que os operadores esperam ao menos três altas de 0,25 ponto percentual nos próximos 12 meses. 

Como investir em Treasury bonds sendo brasileiro? 

Se fosse para emprestar dinheiro ao governo brasileiro e lucrar com os elevados juros compostos oferecidos por aqui, bastava acessar o Tesouro Direto e escolher o título público mais adequado a sua meta financeira ou necessidades. Ainda que um pouco mais trabalhoso, os brasileiros também podem aproveitar essa janela ímpar de taxas elevadas na renda fixa em dólar.
Por meio das corretoras de valores habilitadas a conectar os brasileiros ao universo dos investimentos disponíveis na bolsa de valores americanas, existem dois caminhos a se expor aos treasury bonds: investir diretamente nos títulos (semelhante ao Tesouro Direto) ou adquirir cotas de ETFs americanos de renda fixa (modalidade que também começa ganhar popularidade no Brasil). 
Caso o investidor brasileiro decida escolher individualmente os títulos do governo americano que deseje, as corretoras internacionais, como Avenue e Nomad, já disponibilizam essa opção, sendo que o aporte mínimo costuma girar em torno de US$ 1 mil.
Diferente do Tesouro Direto, em que o Tesouro Selic é a forma mais popular de emprestar dinheiro ao governo, via modalidade de juros flutuantes que mudam a cada 45 dias, lá nos EUA, a maioria dos treasury bonds têm taxas prefixadas, que justamente pagam ao redor de 5% ao ano e mais a variação do dólar no período.
Ao escolher o caminho dos ETFs americanos de renda fixa, são diversas possibilidades de se expor as taxas recordes oferecidas pelo governo americano, desde títulos de curto prazo para até os vencimentos de longuíssimo prazo. Muitos ETFs americanos de renda fixa em dólar distribuem dividendos mensais.
Também é possível investir em ETFs que dão acesso aos títulos de juros flutuantes (semelhante ao Tesouro Selic), bem como a uma carteira de títulos americanos indexados à inflação (semelhante ao Tesouro IPCA+). 

ETFs americanos de renda fixa