Depois de um breve alívio, o mercado de petróleo voltou a encarar turbulência, e com força. Nesta segunda-feira (20), os preços da commodity dispararam mais de 5%, refletindo a escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos.
Estreito de Ormuz volta a travar o fluxo
O gatilho do movimento foi o novo impasse entre os dois países, que acabou impedindo a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A hidrovia foi novamente fechada após o Irã recuar da decisão anterior de reabertura. Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçou que o bloqueio naval aos portos iranianos segue em vigor.
"Até o momento, não temos planos para uma próxima rodada de negociações", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa semanal no último domingo (19). "Não acreditamos em prazos ou ultimatos para garantir os interesses nacionais do Irã", acrescentou.
Com isso, o petróleo reagiu imediatamente, o WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 5,01%, chegando a US$ 87,61 por barril. Já o Brent, padrão internacional, subiu 5,38%, alcançando US$ 95,24.
O cenário contrasta com o observado na sexta-feira (17), quando os preços haviam retornado aos níveis do início da guerra após o Irã anunciar a reabertura do estreito para navios-tanque comerciais. Na ocasião, o mercado reagiu com otimismo, e as ações americanas chegaram a renovar máximas históricas.
Mas o clima voltou a azedar rapidamente. No domingo, Trump afirmou que os EUA apreenderam um navio cargueiro de bandeira iraniana que teria tentado driblar o bloqueio naval. Além disso, o comando militar de Teerã classificou a ação como pirataria e indicou que uma reação deve ocorrer em breve.
O cessar-fogo, considerado frágil, tem prazo para terminar na quarta-feira (22). Com o aumento das tensões no Estreito de Ormuz, crescem as dúvidas sobre a continuidade das negociações e sobre a possibilidade de um desfecho para o conflito no curto prazo.